quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Visceral


Queria escrever hoje para você
Você que me lê e eu nem sei
Você que lê e eu bem sei
Você que busca nas minhas palavras uma resposta
Você que acha que tudo que eu escrevo é sobre você
Não tem problema
Mas a verdade é que a minha alma aqui está destampada, dilacerada, transbordante
Ela sempre transborda e sái pelas minhas pupilas e também pela minha voz
Dias atrás eu disse que ainda falaria sobre o lado bom de ser assim
Apesar que às vezes eu nem sei se é bom
Só sei que é visceral, perfeito em alguns momentos
Os dois cisnes, o branco e o negro
Nunca nego nenhum deles, o que pode até ser mal interpretado
Mas é assim, transparentemente paradoxal
É espontaneamente para você
Mas não esqueça.... é sobre mim.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Roda Viva

Uma estrela cadente caindo infinitamente
Sem parar
O caminho, a estrada tortuosa e linear
Um dia bom, depois da precipitação e depois de encontros infelizes
A esperança de conseguir o entendimento, conseguir ao menos ser ouvida, compreendida
A possibilidade de falar com o coração para alguém que tanto inspira
Ser lembrada, admirada
O riso da criança
Braços abertos para o que vida quiser me dar
Portas fechadas para falsidades e coisas do passado que não vale a pena cultivar
Pés descalços
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Segunda de manhã

É preciso coragem

É preciso ser verdadeiro e sobretudo encarar a realidade
Me dá um pouco da sua coragem

E quando você precisar te empresto também a minha

Tudo que desestabiliza precisa ser resolvido

Um passo fora da linha e as consequencias podem ser cruéis

Perdão perdão, minhas culpas são outras

Minhas culpas são as que não são minhas

Onde estão estas? As reais?

O buraco do buraco do buraco coberto de areia fofa várias vezes

O buraco que não fecha

O que foi feito da vida? O que foi feito do amor?

Como entrar na outra alma só para ver se ela é igual?

Só para ter certeza que nenhum sofrimento é maior do que o outro

É a escolha dolorosa de mergulhar de cabeça, ir lá no fundo, bem no fundo, onde a pressão é insustentável e perde-se completamente o ar

Seria uma escolha?

De todo o drama, há suas vantagens... Outra hora falarei delas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dor de cabeça


Dá na cara a vida
Mostra mostra o que não se quer ver
Revela os sentimentos mais profundos
A vontade de estar só e nada dizer
O tédio que nunca se atrasa, ao contrário adianta-se
A dificuldade de aceitar o afastamento de alguém
O abandono sempre aqui, porque?
A falsidade cômica, trágica, arrependida
A vontade de ver tudo arrumado, a preguiça de desfazer a bagunça
A dúvida, o pensamento incessante
Me engole, me toma, me transborda, me esmaga
E eu deixo
Porque às vezes as palavras fogem da minha boca, antes mesmo de emitirem qualquer som
Porque às vezes a ação foge do meu corpo e se perde, antes até de ser elaborada na minha mente
Um colapso quieto e cheio de lágrimas

domingo, 26 de dezembro de 2010

Entendendo Clarice

Por não estar distraída me apego a oportunidades que não são verdadeiras
Por não estar distraída escuto o que não devo e deixo passar o mais importante
Por não estar distraída sofro de angústia e remorso, pois não admito qualquer erro
Por não estar distraída esforço-me ao máximo para ser agradável
Por não estar distraída observo e analiso todos os meus passos
Por não estar distraída acho que todos estão me negando a todo tempo
Por não estar distraída dou sempre o melhor de mim
Por não estar distraída exigem sempre o melhor de mim
Por não estar distraída fico confusa quando falam ou perguntam demais
Por não estar distraída fico rouca quando mais preciso da minha voz
Por não estar distraída não consigo dormir se estou tão cansada
Por não estar distraída me dedico intensamente e esqueço de relaxar
Por não estar distraída estrago qualquer surpresa
Por não estar distraída estou sempre me destacando, sendo elogiada
Por não estar distraída sei exatamente quem eu sou

sábado, 18 de dezembro de 2010

Fim de ano

Um mundo dentro da cabeça
A paz de um amor
Os sonhos guardados no coração
Amigos que se afastam, que se revelam
Os segredos que nunca serão revelados
As conclusões que mudam sempre
As idéias surgindo e surgindo
A espera dos acontecimentos
A vontade de me superar
O perdão
O arrependimento
As escolhas difíceis
O falso sucesso
A fragilidade, sempre ela
A determinação, o que dizem de mim
A vontade de viver!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Pairalisação


Pairalisa-me
Sem ação, sem resposta
Sem saber que mundo é este na minha frente
O clima paira de tal forma que não se consegue pensar
Tudo, de tantos anos, de tantas vidas, vem tão forte em poucos segundos
E o silêncio
Silêncio que diz tanto e é impossível iniciar o diálogo
Parei, pairei, espaireci... como se eu fosse capaz de relaxar
A pressão não suporto, o "não me importo" é falso, o silêncio magoa
Não era para ser mágoa...
Vai ser sempre assim?
O que mais se pode fazer para que os olhos se olhem, as mãos se aproximem, os corações se aqueçam
As diferenças precisam ser respeitadas, não só isso, admiradas
Há realmente uma ferida incurável, será por isso? achei que eu já havia perdoado.
Sensação de desampairo
mais uma vez.