sábado, 28 de julho de 2012

O eixo


O dia-a-dia faz esquecer
Faz esquecer o que é importante
Faz prestar atenção no que não faz a menor diferença
Faz correr atrás do que talvez não seja o nosso caminho
Faz ligar para a opinião dos outros
Faz ter inveja dos outros
Faz usar as mesmas máscaras que todos usam
Faz querer correr contra o tempo, contra a vida Faz se sentir oco, sem chão, inútil
Faz perder o sentido, a razão
Deprime
Gosto de pensar que deprime os mais sensíveis...
Onde é que está a essência?
 Como é que se encontra essa essência que faz a vida ter sabor, ainda que muitas vezes seja um sabor amargo.
Aquele eixo, sem o qual é impossível uma bailarina ficar na ponta dos pés. Sem o qual não se pode dar piruetas ou se quer elevar uma das pernas.
Em busca do meu eixo de bailarina...

domingo, 15 de julho de 2012

Esperança

Dizem que a esperança é a última que morre. Mas, o que é que morre antes? A alegria? A motivação? O entusiasmo? Ao meu ver morre tudo é junto mesmo...  Tem momentos em que a esperança simplesmente adormece... Não vou ser pessimista e dizer que morre, mas fica bem adormecida. Me pergunto, será que estou remando no sentido contrário do meu destino? O que será que vida quer me mostrar e eu não estou enxergando? Rezo, me concentro, vou à luta... e aí acontece algo inesperado que piora as coisas, desfaz os planos. Me apego ainda mais aos meus afetos, é um grande conforto... imagino quem não os tem. Mas não é suficiente, ainda que os afetos sejam meus, sejam de dentro para fora, ainda que em termos de afeto sejam mais do que suficiente... Há aquele buraquinho... Aquele meu conhecido amigo. Aquela coisa oca, aquele espaço vazio no meio de tudo.  Espaço que atualmente engloba alguns aspectos da minha vida, em realidade dois. Um que tem por característica ser assim há alguns anos e que eu venho lutando, ele abre e fecha de tempos em tempos. O outro é em parte consequência do primeiro, em parte talvez seja do próprio processo difícil mesmo, ou a outra parte é a que eu não sei explicar, a que eu busco resolver, busco solucionar. Neste momento em que meu coração quase esmurece, acontece algo. Algo que logo de cara aparenta não ser muito boa coisa, mas que é um sinal de que a vida está sim em movimento. Concentro meu otimismo nesses pequenos sinais e, de alguma maneira, vou em frente!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Amor de verdade

Quando a alma grita e não podemos ouvir,
Quando o coração bate descompassado e não conseguimos sentir,
Aí o corpo pára, pois somos tão burros que essa é a única maneira de nos darmos conta do caminho tortuoso que estamos seguindo.
Não só tortuoso, pois podia ser assim e ter uma finalidade plausível, positiva. Não é o caso. É certamente um prenúncio de algo que jamais pode dar certo.
A somatização é triste para alguém que se julga tão sensível. Mas talvez não seja uma questão de sensibilidade e sim de maturidade e quanto a isso não posso me cobrar, só o tempo.
A maturidade e sobretudo a coragem demoraram um pouco, mas chegaram. Ainda bem que eu tenho amigos, nada é por acaso.
Querer tomar para si alguma coisa só porque te apetece não é amor e também não sei o que é.
Mas amor eu sei o que é, amor eu tenho em casa.

sábado, 9 de junho de 2012

Cheio e vazio

Correr ao lado do mar, sensação de liberdade, me transporto pra esta situação agora... Onde haviam muitos questionamentos, conflitos, mas sobretudo a certeza, a vontade. Aquela vontade de viver, de correr, de voar ou de pular naquela água que me lavasse por dentro "Água viva que me refresque que lave tudo cá dentro". Este era o som e a inspiração. E não havia ninguém, mas um preenchimento absurdo. Porque eu me preencho, embora precise de todos a minha volta. Queria que as pessoas não precisassem de mim para se preencher, ou não me transferissem esta responsabilidade, desculpa, mas eu realmente não a quero. Quero segurar o que me cabe, não por uma questão de querer, de vontade, mas principalmente por uma questão de capacidade. Capacidade humana mesmo de absorver tantas necessidades ou carências ou pretenções, como uma tsunami que invade minha vida, meu coração. Uma onda de bons sentimentos, boas intenções, mas como toda grande onda, vai afogando, destruindo tudo que existia se não tiver uma forte barreira para segurar. Não é ofensa, não é rejeição, é fato. Porque todo mundo devolve ao outro aquilo que não te pertence, toda e qualquer pessoa faz isso sem perceber, achando que está disposto a tudo, aberto a tudo, mas na verdade sempre colocando suas condições, seus limites, só Jesus Cristo não tinha limites. Aceito tantas coisas, mudo a cada dia, só preciso agora de compreensão, de respeito, de leveza. Ah! A leveza! No drama... Pois pra mim o copo está quase sempre meio cheio.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tatuagem

Tem horas que o que me resta é lamentar... Não quero me fazer de vítima, então prefiro calar, pois qualquer coisa que eu diga vai soar justificativa. Escrevo aqui pra quem quiser ler ou pra ninguém, pra mim... Pra botar pra fora da maneira maais espontânea e livre, assim, sem pensar. Pressão, pressão, minha cabeça vira um saco de pancadas, recebendo golpes por todos os lados. Fico mesmo pensativa, onde será que eu não deixo explícito o meu cuidado? Erros acontecem, sempre. Mas eles apagam tudo, é assim mesmo, não passa nada? É assim tão a risca, tão tão, o tempo inteiro? Por que eu entendo o processo do outro, a maturidade, as situações, quase sempre entendendo e tentando contribuir. Mas eu não, eu tenho que saber ser de determinada forma, sempre. Eu não fiz isso, eu deixei de fazer aquilo, eu tinha que ter feito tal coisa, eu não cuidei... como se o mundo fosse se acabar. É muito difícil. E a culpa não é realmente de ninguém, a culpa é minha que não consigo administrar, abstrair, viver à minha maneira, estou sempre preocupada com o julgamento do outro, sempre. E essa preocupação nunca é suficiente, nunca. Acho que quando eu nasci fizeram uma tatuagem na minha testa: Me cobrem, me cobrem sempre, eu aguento.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Esse buraco que eu tenho dentro de mim nasceu comigo e eu tento preencher com a areia fofa que encontro pelo caminho?
Ou será que ele não existia e em algum momento da minha vida foi perfurado e começou a crescer?
Ou quem sabe ele não existe e eu sou tão dramática que sinto o peito vazio?
Não sei... só sei que a falta de incentivo, o descrédito, a ausência de interesse, não são invenção da minha cabeça.
Era tão importante pra mim... Um ollhar, uma palavra, um tom de carinho, de apoio. Ou até nada, na pior das hipóteses (como várias vezes acontece)! Mas não o contrário.
Esse buraco não fecha, posso até morrer com ele. Porém, hoje ele não vai me atrapalhar em nada, não como antes... Ele não vai me impedir nem me desvirtuar do meu caminho. Um caminho longo, mas que a cada passo percebo ser a trilha certa.
Vou escalar esta montanha nem que seja sozinha. 

sexta-feira, 9 de março de 2012

Minha canção

Não quero caos no coração, isso eu já sei como é...
Não quero pressão, confusão, preocupação... Isso também já sei como é.
Não quero me afogar em águas turbulentas, onde as ondas quebram nas almas de quem amo

Quero amor, respeito, encontros, canções 
Quero a vida em forma de partitura
Nota a nota respeitando a minha tecitura