domingo, 22 de novembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 8 (Agosto/2015)

Visão de mundo
É, nossa visão de mundo muda muito com tempo e com as experiências que a gente vive.
Claro que tem pessoas que passam a vida inteira numa bolha impenetrável, tudo acontecendo do lado fora e a pessoa segue inerte, não agrega nada, não cresce nem contribui para o crescimento dos outros.
No meu caso, estou sempre buscando o que me faz sentir mais plena, mais madura talvez, mais sagaz. É preciso ter coragem, como diz a música, é preciso saber viver... De fato. Me encanta o desafio e mesmo derramando lagrimas e tendo que deixar muita coisa pra trás, eu vou, pulo, salto, muitas vezes em queda livre. É o que tem me feito crescer mais nos últimos tempos.
Foi vivendo longe da família em busca do sucesso, viajando todo o tempo, que eu percebi que a vida não é só sucesso. Conhecer pessoas de diferentes partes do mundo, observar diferentes costumes, voltar a uma mesma cidade, antes estranha, toda semana e poder criar uma relação especial com este lugar, poder lembrar da família que está longe por algum detalhe muito especifico e se sentir ainda mais perto deles... Fascinantes descobertas que escrevo aqui exatamente no mês do meu aniversário. Este mês chego aos meus 30. Tanto foi feito e a vontade de fazer mais é maior ainda. É como se eu tivesse a meta muito clara, mas ao mesmo tempo, eu hoje permito que  vida me mostre para onde devo ir, o que devo fazer, pois é assim que tenho recebido os melhores presentes do destino...
O crescimento profissional também é inevitável. Volto a falar da relatividade do sucesso. Exatamente onde estou, sou hoje um grande sucesso. Faço um trabalho reconhecido por todos, me entrego totalmente ao publico que meu aplaude ao fim de cada canção, todos os dias, de domingo a domingo.
É engraçado como essa coisa de crise dos 30 é real, ou se não é, pelo menos comigo aconteceu, muito embora tenha sido nos meus 29. Ao fazer 30, sinto um ciclo se fechando, como se eu tivesse ficado mais leve, mais espontânea e com uma visão mais ampla da minha vida.
Mesmo com momentos de angustia e ansiedade, me compele hoje uma sensação boa de que tudo vai sempre dar certo. E é verdade. Cada vez que eu acredito, sem pressa, sem aquela agonia própria da juventude, as coisas naturalmente se encaixam.
Já falei sobre destino, porque acredito nele. Acredito que existe uma trilha que vamos percorrendo durante a nossa vida, uma trilha que você não tem como fugir. Basta escolher aceitar percorrê-la ou tentar, inutilmente, fugir dela. Não estou sendo fatalista... Ao contrario, passei bastante tempo capengando pra achar qual era a minha trilha, pra alinhar minha dança com a música que toca na minha estrada. Penso que esta busca faz parte de uma vida em amadurecimento crescente, é preciso buscar e não parar nunca.
Mas depois que me encontrei e me abri para o mundo, sinto a juventude indo embora, ainda que alguns desejos permaneçam, começo a dar lugar a sentimentos mais estáveis, mais tranquilos, entendendo a beleza das coisas que duram.
Percebo em mim o grande prazer e desafio diário de ser feliz!

Pronto! Cheguei nos 30.

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 7 (Julho/2015)

One Love

Incrível como ainda me pergunto o que é o amor.
Será o amor um sentimento único, ou existem tipos de amor?
Sei sobre o amor que sinto pela minha família e pelos meus amigos mais próximos. Mas me refiro ao amor romântico mesmo, que une duas pessoas.
Não que eu não já tenha vivido nesses trinta anos histórias extremamente apaixonadas, já mencionei em outro capítulo que foram e são muito relevantes e intensas. Pensando no amor puro, acho inclusive que amo de verdade os homens com os quais tive histórias longas, são pessoas que quero um bem imenso, me preocupo e fazem parte das minhas orações. Mas aquela certeza, certeza absoluta, aquele sentimento de que vai ser pra sempre, aquela completude... Acho que só senti uma vez, no máximo duas. E sim, é como se faltasse algo ainda, é como se a minha felicidade não estivesse completa.
Ao menos, agora, depois das experiências que tive, especialmente neste último ano, o ano em que estou completando 30, tenho certeza do que não é amor. Sei exatamente quando estou vivendo algo bacana, apaixonante até, mas que vai ter um fim próximo, vai se transformar, pelo simples fato de não ser amor. Já me confundi muito, misturei tudo, mas hoje, muito embora no meio de cada processo o aspecto passional ainda confunda um pouco as ideias, no fundo, racionalmente, tenho mais tranquilidade e clareza sobre o que não me completa.
Cansam-me um pouco os inícios e fins, pois ainda que não seja amor, a entrega e troca de energia são sempre absolutas. Mas não existe pra mim outra maneira de viver as experiências, buscar, tentar, me atirar na vida.
Continuo esperando e lançando para o universo que, como um ímã, a pessoa que eu busco venha até mim e eu até ela, acredito no destino, sei que ele é implacável. Navego pela vida sem pressa, na certeza de que o amor me alcançará.

sábado, 21 de novembro de 2015

Eu

Um dia você se dá conta de que tudo na sua vida é sobre você.
Tudo aquilo a sua volta, que parece tão externo, parece tão fora de você, tão independente...
Na verdade é de dentro.
Como se do seu centro partissem os raios que emitem energias para fora e destes mesmos raios vem o que está fora, bem pra dentro, no meio, no centro do peito.
Começa e termina em você.
É exatamente neste ponto que você percebe que cada coisa tem a exata importância que você dá. Porque a coisa em si não importa.
Na verdade a coisa em si nem existe. A não ser que você dê vida à ela, podendo torná-la muito grande ou bem pequena.
Uma dor, uma alegria, um arrependimento, um encontro...
Sem egocentrismo ou nada do tipo, é preciso por um momento perceber que tudo em seu entorno é você. 
São personagens, experiências, histórias, do seu destino, exclusivamente.
Neste ponto também diminui a necessidade de compartilhar todas as suas vivências com muitas pessoas, assim como facilita entender a efemeridade das relações. Elas vêm, cumprem sua função e vão, já que cada um tem sua trilha própria a seguir.
Não estou falando de isolamento, não tem nada a ver com isso.
E sim com enxergar a profundidade em conversar com você mesmo.
O que não é dito pra fora, pode ser melhor ouvido e absorvido pra dentro.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pensando alto


Cada vazio é diferente do outro.
Talvez pelo tempo que vai passando,
As experiência que vão calejando,
Ou talvez porque tem que ser diferente mesmo.
Mas não deixa de ser "angustiantemente" vazio.
O de agora é a imagem de um lugar imenso onde antes foi um circo, mas só ficaram os restos:
Um pedaço de pano, alguma purpurina, malabares velhos, um arco torto...
A lembrança do palhaço que se foi
Astro de todo aquele circo
Levou com ele o riso, a euforia, a ilusão
Tudo no seu caminhão, à procura de outro lugar qualquer
Ou a procura de nada, sem rumo, parando onde a paisagem lhe conquistar por algum tempo.
Eu que sempre fui protagonista dos meus palcos de histórias, sento no que restou da arquibancada, expectadora agora, e apenas observo o caminhão sumindo aos poucos no horizonte.
Uma lágrima me escorre. Lágrima colorida de palhaço triste, feita de tinta.
Sim, guardei pra mim os resquícios, tornei-me um pouco palhaça também.
Uma respirada quase calma, longa pausa, para recomeçar a encher o meu vazio.
Quem sabe um outro circo, outro espetáculo... Pensei alto.
Quem sabe um dia o mesmo circo, em outro vazio.

sábado, 7 de novembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 6 (Junho/2015)

Eixo

Neste momento me entristece a repetição dos acontecimentos. Não compreendo bem porque sempre passa a mesma coisa. Porque a angústia, a lamentação, a expectativa. Não que eu me arrependa... Já mencionei aqui que no final das contas eu concluo que valeu a pena.
Será que tem que ser assim? Será um traço da minha personalidade? Me entregar sem ressalvas, enquanto as outras pessoas não. Porque tem sido tão recorrente me envolver com pessoas que querem limitar a relação? Porque as pessoas acham que os limites vão impedir o sofrimento? Vejo que sofrer é inevitável, é inerente a nós, independente de se limitar ou não. A diferença é que limites rígidos nos fazem viver menos... Mas é apenas o meu ponto de vista. Que agora começo a rever.
Na verdade, acho que preciso de um tempo pra mim... Preciso me dar este tempo. Me centrar um pouco, acalmar os sentimentos antes de tomar atitudes ou promover mudanças, talvez seja o mais maduro a fazer.
Pra isso não é necessário me afastar dos outros, estar só... apenas tenho que estar atenta ao meu foco, manter a serenidade e seguir buscando um pouco de paz. Assim, não importará como os outros encarem, e sim, a minha própria vivência. Essa é uma busca diária, que tento nunca perder de vista, procurar me conectar com as “good vibes”. Elas estão sempre por aí.
Falar em boas energias me traz à mente um outro assunto: A negatividade das pessoas. É incrível como sempre nos deparamos com pessoas negativas, pessoas que querem fazer mal, seja por algum trauma, por inveja, insegurança... procuram o lado ruim das coisas e atuam para prejudicar.
E eu, chegando aos 30, ainda me vejo um pouco vulnerável a essas pessoas, como se, por mais experiência que eu tenha tido, ainda não foi suficiente para me calejar, para que tais maldades não me atinjam tanto. Acho que isso também tem a ver com o foco, o centro. Como se eu tivesse que tentar achar um eixo, que independente do que ocorra ao meu redor eu permaneça quase intacta.
É engraçado amadurecer, ter mais consciência, pois é exatamente onde você percebe que sabe muito pouco, tem tanto a aprender... vejo pessoas mais novas ou menos experientes falando de verdades tão absolutas, sentindo-se totalmente  maduras e penso: “Com o tempo você vai ver que tudo é tão mutável...” Apenas ouço e observo, me encanta observar, como uma criança. Deixo pensarem que sou uma criança. Gostaria mesmo de ter a pureza e a sabedoria de uma criança. Isso me faria estar mais distraída e ao mesmo tempo mais entregue a mim mesma.

Porque quando se está atentamente distraído, se dão os acontecimentos mais surpreendentes da vida, como um ímã instalado bem no seu centro, eixo perfeito que atrai o que há de melhor.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 5 (Maio/2015)

Culpa das estrelas?













Quando nasce a mulher, nasce junto, embutida no seu corpo, na sua alma: a culpa. Fica ali guardada e a cada acontecimento de sua maturidade, vai aparecendo.
Sou filha de pais separados. Meus pais se separaram quando eu ainda era bem pequena, entre seis e sete anos de idade. Pensar nisso me traz recordações tristes. Não tenho lembranças muito claras, apenas flashes. Lembro que fomos felizes, mas não consigo lembrar de nenhum momento, nenhuma situação em que estávamos os três juntos, não sei porque. Se não fossem as muitas fotografias que minha mãe sempre guardou, seria difícil acreditar.
Eu era uma criança e participei dos problemas dos adultos, não fui poupada de nada, foi pesado. Acho que o esquecimento e a tristeza se devem a isso.
Mas hoje, mais de vinte anos depois, apesar da lembrança infeliz, está tudo muito bem resolvido pra mim, tenho uma família grande e maravilhosa, o que inclui uma segunda mãe e uma meia irmã que amo mais do que se fosse irmã inteira. Portanto, a pauta deste capitulo não é bem essa.
O que ocorre é que, quando comecei a passar por situações adultas, comecei a vivenciar o sentimento de culpa. Estar no meio daquela situação, por si só já me fazia me sentir culpada por alguma coisa, que eu nem sabia o que era. Às vezes eu sentia que meus pais tinham mais trabalho em lidar com tudo aquilo, devido à minha simples existência. Como se eu fosse uma mala pesada, cheia de coisas importantes que não podem ser descartadas, então tem que ser carregada pra lá e pra cá, durante todas as escalas e conexões de uma longa e cansativa viagem.
Depois dessa veio a culpa de ter que me dividir. Se eu estava com minha mãe, pensava que meu pai estaria triste pela minha ausência e o contrário também ocorria. Apesar que sempre me senti mais culpada pelo meu pai, até hoje, não sei por que. Eu sempre achava que estava incomodando em algo, sempre queria agradar, sempre sentia que devia pedir desculpas por alguma coisa. Acho que isso deve ter a ver com o Complexo de Édipo, certeza!
Depois que comecei a namorar, veio outra culpa. Estar com os amigos e deixar o namorado, estar com o namorado e deixar os amigos e a família. Pra mim sempre foi difícil fazer este tipo de escolha e ficar bem com ela.
Por fim, a culpa pelos fracassos dos meus relacionamentos. Isso inclui também as amizades. Aquelas amizades que se rompem e as pessoas simplesmente deixam de ser amigas, nunca soube lidar com isso. Sempre me sinto responsável por tudo e levo um tempo pra entender que simplesmente acaba, não tenho culpa pelo fim, nem pelo sofrimento da outra pessoa. Ou tenho?

O que tento hoje é resolver minhas culpas passadas, deixar minha mente limpa, evitar me cobrar tanto, porque sei que muitas culpas ainda me esperam depois dos 30. Acho que sou mesmo uma virginiana chata e louca e balzaquiana e cheia de conflitos. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 4 (Abril/2015)

Não ter certeza













Quando somos jovens e nos imaginamos perto dos 30, achamos que quando chegarmos lá teremos certeza de tudo. Já vamos ter encontrado o homem da nossa vida, a vida profissional estará totalmente resolvida, já teremos absoluta independência financeira e saberemos exatamente o que fazer com o nosso dinheiro, já não vamos nos magoar tanto, nem nos aproximar ou nos apaixonar pelas pessoas erradas, pois já saberemos exatamente quem elas são...
Só que não.
De fato, algumas dessas coisas ficam bem resolvidas com a maturidade, mas bem longe de serem todas elas. As dúvidas estão presentes a cada segundo, os sentimentos mudam a cada dia, as fases, momentos... Uma recorrência cansativa de altos e baixos.
Realmente chegar aos 30 não é nem um pouco como eu imaginei. Às vezes choro compulsivamente como uma adolescente que não sabe o que fazer. Me apaixono loucamente e no dia seguinte já não sei mais. Continuo tentando atender às expectativas das outras pessoas. No fundo, às vezes me considero tão imatura. Por outro lado, me orgulho também por não ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Sei que é preciso controlar um pouco a ansiedade, dar tempo ao tempo, ter fé na sabedoria da vida, se permitir errar... Afinal de contas, que graça teria ter certeza de tudo? Já saber o que vem por aí? Por mais adolescente que pareça, acho que a vida é mesmo uma aventura, uma descoberta, o clichê da caixa de surpresas.

Buscando a tão sonhada paz em não ter certeza.