segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Quase amor

Onde guardar um quase amor?
Um amor assim que não foi, mesmo sendo, o que um dia poderia ter sido.
Onde encaixar a dúvida?
Uma dúvida que no fundo é quase certeza que era isso mesmo, mas ainda assim incessante dúvida.
Como armazenar as lembranças?
Lembranças que passaram, mas parecem tão vivas, mesmo sendo passado querem se fazer presente.
Deve ser mais fácil um amor sem duvidas nem lembranças. Aquele que a gente faz tudo, não pestaneja. 
Seria certeiro. Seria completo, estaria aqui.
Mas é um meio-amor. 
Não sei se está mais perto de ser um amor inteiro ou de ir diminuindo até ser amor nenhum... Só sei que é meio.
Só a saudade.... Ah saudade! Paradoxalmente imensa, inteira.
No meu quase eu, meu quase amor faz toda falta!
Porque um chocolate, ainda que meio amargo, guarda a doçura, o gozo, a delícia do chocolate.

Nas voltas do meu coração

Não pensei que tão rápido abriria meu coração 
Ainda que não seja nada demais (e não é)
Somente pra provar a mim mesma que a força da atração é imbatível 
Aquilo que você exala, vai vir até você 
Da forma mais inesperada
Às vezes tão clichê que surpreende
Porém sutil, porque jamais abandonarei a sutileza numa aproximação 
A maturidade me deu calma e vontade de esperar o tempo exato do momento.
Porque sinto uma certeza tão precisa que me dá até medo
A certeza de que as voltas do meu coração estão prestes a parar por uns tempos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

For a thousand years


Completa.
Cheia.
Transbordando, sem exageros.
Alegria, sem euforia.
Certeza. Absoluta.
Serena, disposta.
Livre, presa por vontade própria.
Conectada em mim, em nós.
A hora certa.
A espera.
De um encontro.
Por mil anos.
Tranquila.
Desperta.

Vos

Quem é você
Me perdi na magia do amor
Um encanto talvez me cegou
Não pude perceber

Quem é você
Suas palavras escapam no ar
Você diz, mas não dá pra encontrar
O seu rosto afinal

Quem foi você
Que me fez esquecer a razão
Invadiu meu querer de ilusão
Pra depois me escapar

Será você
Que agora eu vejo tão frio
Foi morar num espaço vazio
Tão normal pra você

Sobre você
Que enfeitou o que era banal
Riu, partiu e brincou, coisa e tal
Já não quero saber

domingo, 22 de novembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 8 (Agosto/2015)

Visão de mundo
É, nossa visão de mundo muda muito com tempo e com as experiências que a gente vive.
Claro que tem pessoas que passam a vida inteira numa bolha impenetrável, tudo acontecendo do lado fora e a pessoa segue inerte, não agrega nada, não cresce nem contribui para o crescimento dos outros.
No meu caso, estou sempre buscando o que me faz sentir mais plena, mais madura talvez, mais sagaz. É preciso ter coragem, como diz a música, é preciso saber viver... De fato. Me encanta o desafio e mesmo derramando lagrimas e tendo que deixar muita coisa pra trás, eu vou, pulo, salto, muitas vezes em queda livre. É o que tem me feito crescer mais nos últimos tempos.
Foi vivendo longe da família em busca do sucesso, viajando todo o tempo, que eu percebi que a vida não é só sucesso. Conhecer pessoas de diferentes partes do mundo, observar diferentes costumes, voltar a uma mesma cidade, antes estranha, toda semana e poder criar uma relação especial com este lugar, poder lembrar da família que está longe por algum detalhe muito especifico e se sentir ainda mais perto deles... Fascinantes descobertas que escrevo aqui exatamente no mês do meu aniversário. Este mês chego aos meus 30. Tanto foi feito e a vontade de fazer mais é maior ainda. É como se eu tivesse a meta muito clara, mas ao mesmo tempo, eu hoje permito que  vida me mostre para onde devo ir, o que devo fazer, pois é assim que tenho recebido os melhores presentes do destino...
O crescimento profissional também é inevitável. Volto a falar da relatividade do sucesso. Exatamente onde estou, sou hoje um grande sucesso. Faço um trabalho reconhecido por todos, me entrego totalmente ao publico que meu aplaude ao fim de cada canção, todos os dias, de domingo a domingo.
É engraçado como essa coisa de crise dos 30 é real, ou se não é, pelo menos comigo aconteceu, muito embora tenha sido nos meus 29. Ao fazer 30, sinto um ciclo se fechando, como se eu tivesse ficado mais leve, mais espontânea e com uma visão mais ampla da minha vida.
Mesmo com momentos de angustia e ansiedade, me compele hoje uma sensação boa de que tudo vai sempre dar certo. E é verdade. Cada vez que eu acredito, sem pressa, sem aquela agonia própria da juventude, as coisas naturalmente se encaixam.
Já falei sobre destino, porque acredito nele. Acredito que existe uma trilha que vamos percorrendo durante a nossa vida, uma trilha que você não tem como fugir. Basta escolher aceitar percorrê-la ou tentar, inutilmente, fugir dela. Não estou sendo fatalista... Ao contrario, passei bastante tempo capengando pra achar qual era a minha trilha, pra alinhar minha dança com a música que toca na minha estrada. Penso que esta busca faz parte de uma vida em amadurecimento crescente, é preciso buscar e não parar nunca.
Mas depois que me encontrei e me abri para o mundo, sinto a juventude indo embora, ainda que alguns desejos permaneçam, começo a dar lugar a sentimentos mais estáveis, mais tranquilos, entendendo a beleza das coisas que duram.
Percebo em mim o grande prazer e desafio diário de ser feliz!

Pronto! Cheguei nos 30.

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 7 (Julho/2015)

One Love

Incrível como ainda me pergunto o que é o amor.
Será o amor um sentimento único, ou existem tipos de amor?
Sei sobre o amor que sinto pela minha família e pelos meus amigos mais próximos. Mas me refiro ao amor romântico mesmo, que une duas pessoas.
Não que eu não já tenha vivido nesses trinta anos histórias extremamente apaixonadas, já mencionei em outro capítulo que foram e são muito relevantes e intensas. Pensando no amor puro, acho inclusive que amo de verdade os homens com os quais tive histórias longas, são pessoas que quero um bem imenso, me preocupo e fazem parte das minhas orações. Mas aquela certeza, certeza absoluta, aquele sentimento de que vai ser pra sempre, aquela completude... Acho que só senti uma vez, no máximo duas. E sim, é como se faltasse algo ainda, é como se a minha felicidade não estivesse completa.
Ao menos, agora, depois das experiências que tive, especialmente neste último ano, o ano em que estou completando 30, tenho certeza do que não é amor. Sei exatamente quando estou vivendo algo bacana, apaixonante até, mas que vai ter um fim próximo, vai se transformar, pelo simples fato de não ser amor. Já me confundi muito, misturei tudo, mas hoje, muito embora no meio de cada processo o aspecto passional ainda confunda um pouco as ideias, no fundo, racionalmente, tenho mais tranquilidade e clareza sobre o que não me completa.
Cansam-me um pouco os inícios e fins, pois ainda que não seja amor, a entrega e troca de energia são sempre absolutas. Mas não existe pra mim outra maneira de viver as experiências, buscar, tentar, me atirar na vida.
Continuo esperando e lançando para o universo que, como um ímã, a pessoa que eu busco venha até mim e eu até ela, acredito no destino, sei que ele é implacável. Navego pela vida sem pressa, na certeza de que o amor me alcançará.

sábado, 21 de novembro de 2015

Eu

Um dia você se dá conta de que tudo na sua vida é sobre você.
Tudo aquilo a sua volta, que parece tão externo, parece tão fora de você, tão independente...
Na verdade é de dentro.
Como se do seu centro partissem os raios que emitem energias para fora e destes mesmos raios vem o que está fora, bem pra dentro, no meio, no centro do peito.
Começa e termina em você.
É exatamente neste ponto que você percebe que cada coisa tem a exata importância que você dá. Porque a coisa em si não importa.
Na verdade a coisa em si nem existe. A não ser que você dê vida à ela, podendo torná-la muito grande ou bem pequena.
Uma dor, uma alegria, um arrependimento, um encontro...
Sem egocentrismo ou nada do tipo, é preciso por um momento perceber que tudo em seu entorno é você. 
São personagens, experiências, histórias, do seu destino, exclusivamente.
Neste ponto também diminui a necessidade de compartilhar todas as suas vivências com muitas pessoas, assim como facilita entender a efemeridade das relações. Elas vêm, cumprem sua função e vão, já que cada um tem sua trilha própria a seguir.
Não estou falando de isolamento, não tem nada a ver com isso.
E sim com enxergar a profundidade em conversar com você mesmo.
O que não é dito pra fora, pode ser melhor ouvido e absorvido pra dentro.