segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Olhos fechados


Fecho os olhos e estou em uma praia linda e deserta. Sozinha, mas cheia de vitalidade e amor. Não existe nada, só mar. O céu está tão azul como nunca esteve. Não existe angústia nem dor. Tudo é certeza e tranquilidade. Não há espaço para perder a razão, perder o senso... tudo é respeito e força. Lembro que isso não é tão distante quanto parece, já me senti assim várias vezes.
Mas agora não, agora abro os olhos e tenho uma dor de cabeça insuportável. Levanto e me machuco. Pisei em um caco de vidro, olho em volta, são muitos caquinhos, além de fotos, risos, pessoas, sentimentos, tudo espalhado e estilhaçado no chão.
Fases da vida são como um redemoinho, começa pequeno e a gente nem percebe, a ansiedade, a desorientação, a tristeza, e o tempo vai passando, sentimos apenas um aperto constante no peito e uma inquietação toda vez que tomamos uma atitude desagradável, mas não damos importância. De repente, quando vemos, o pior já se deu. O furacão passa assim, rápido e avassalador.
Acho que não quero mais abrir os olhos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O que me interessa

O novo se revela
O desconhecido
A alegria de conhecer
A troca, a amizade, a vida
Pra que perder tempo com coisas vazias?
Pra que mentir, se enganar, se perder e se prender?
Se é possivel vagar por ai, rir e amar
Tudo é tão relativo, tudo é tão inconstante
O que sentimos é verdadeiro
Gentileza, respeito, carinho
É só o que me interessa

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Memórias de um devaneio

Por onde anda o dilacerador de sentimentos
O que tem pensado o ilusionista conquistador
Quais seus novos sonhos? Quais suas novas paixões?
Sempre o bisbilhoto por aí, nos seus grandes afazeres e realizações
Só queria poder desejar-lhe sorte, sucesso
Só queria que todas as confusões, impedimentos e tristes coincidências nunca tivessem existido
Só queria contar-lhe tudo de novo que tem me acontecido e o quanto estou ansiosa com as oportunidades que estão surgindo, o quanto me sinto plena
Mas, plena mesmo estou quando imagino o que não foi, quando tenho falsas lembranças do passado-futuro
Lembro das risadas que demos, dos amigos que fizemos, daquele jantar que eu mesma fiz, daquela viagem pela Europa
Como posso, por tão pouco, ter me deixado ficar com um buraco dentro do peito, aquela sensação de que alguém morreu
Até hoje não sei o que realmente aconteceu e o que eu inventei
Encontro-me naquela embriaguez que ficamos quando estamos quase dormindo e misturamos a realidade com o sonho
Mas me contento, pois não seria tão bonito se fosse de todo real
Certamente, o verdadeiro é bem menos especial do que o idealizado por mim
Além do mais, tudo é muito mais florido pra mim do que pra quem não regou as sementes que plantou
É... parece que alguns instantes da vida não passam de um devaneio