segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Paixões

Paixão 1. Nunca desiste, sempre volta atrás e se contradiz. Aproveita-se da fragilidade, quando é na verdade, mais frágil ainda. Como joga mal!
Paixão 2. A já conhecida dilaceradora, falsa misteriosa. Que fique bem adormecida e longe com suas confusões. Voltará muitas vidas para aprender o que desperdiça.
Paixão 3. Proibida, sonhadora, duradoura. Sempre volta. Ri muito e às vezes chora de arrependimento. É o id. Conforta-se na amizade de longa data.
Paixão 4. Diz que não, mas despreza. E antes era outra coisa... Um dia vai se arrepender. Poderia ser muito mais. Quer ser o super ego.
Paixão 5. Ainda desconhecida. Precipitada às vezes, de muitas palavras. Deveria falar menos e se deixar sentir mais. Contudo, parece compreender.
Paixão 6. Amizade. Dúvida de poder despertar mais uma vez, como um dia foi intocável. Certeza de processos diferentes.
Paixão 7. Pensa que é além do que realmente é. E antes de ser parecia que seria. Não foi. Apesar de tão oportuno. Bem típico.
Paixão 8. Inclui algumas. Duvidosa, que fica no limiar da afetuosidade, simpatia, encanto... É a melhor, pois é sempre leve, talvez por nunca ter se dado.
Paixão 9. Impossível, improvável e, portanto, bastante tentadora.
Paixão 10. Fuga. Qualquer uma que se invente para fugir da solidão.

Como pode com tantas paixões este coração estar vazio?

sábado, 2 de outubro de 2010

Novo de novo

Tantas coisas acontecem... E eu me sinto tranquila.
O curioso é que muitas coisas sempre acontecem, mas parece que a vida dá umas pausas. Nunca! Não existem pausas. O que existe é uma condição momentânea mais receptiva e tolerante aos acontecimentos. É isso, a tolerância pairou e estou mais flexível comigo mesma e com os outros. É absolutamente de dentro para fora e não o contrário. Espero me lembrar muito disso!
Assumo a dificuldade em ser firme nas minhas decisões. Aceito não ser uma fortaleza.
Cedo às pressões de muita gente. Muita gente que duvida de mim, hoje sou a pessoa mais competente do mundo, amanhã sou cheia de defeitos!
Mas isso é o de sempre. O que sempre me agita os nervos.
Tudo na vida acaba se repetindo de um jeito novo. Como uma flor que brota e morre e no lugar dela brota uma outra (quase) igual.
Portanto, no meu jardim são muitas flores agora.
Uma em especial está com um pouco de medo de desabrochar, de ficar muito vulnerável na sua condição de rosa aberta, podendo ser despetalada assim sem que se peça licença.
A linda rosa, que tem um espírito tão antigo e já desabrochou tantas vezes, deixando que fizessem considerações presunçosas sobre seu perfume, não quer ser tocada, nem tem a menor intenção de se precipitar, revelando pétalas ainda sem a cor ideal. Ela quer abrir-se a seu tempo para viver o novo de novo, usufruir do eterno reencontro cotidiano.
Mas que coisa que a cativa assim no ar e sobe quase arrancando-lhe os espinhos!
Todo o jardim de acontecimentos por um instante olha só para ela e suspira sossegado. Pois sabe... nessa vida nada é definitivo.

domingo, 26 de setembro de 2010

Gerúndio


É, estou ausente
A inspiração não tem vindo me visitar
E há muita gente querendo tudo decifrado
Fico paralisada, eu acho
Difícil é ter o coração em paz
Desencontro... Reencontro
Amizades feridas, duvidosas, verdadeiras, apaixonadas
A complexidade dos sentimentos
O exagero da sensibilidade
Correr atrás quando o outro não quer
Perder o gás quando a atenção é demais
Quase ninguém é interessante
Até quem já foi não é mais
Atitudes previsíveis e ao mesmo tempo surpreendentes
Engraçado, me sinto feliz
Aprendi que a vida é esta
A minha vida, eu digo
A música, a dança, a arte, o glamour
A paixão, a solidão, o amor, nada de glamour
A espera, a busca, a hiperatividade
A mágoa, a alegria, a profundidade
O sonho, a ânsia, o riso
Ops!
Melhor parar por aqui ou vão me decifrar...
E este blog será sempre no gerúndio.
Até.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desperta

Lenine canta e aponta para mim,
Ele fala de mim...
Bem que podia susurrar no meu ouvido...

"Muito do que eu faço
Não penso, me lanço sem compromisso.
Vou no meu compasso
Danço, não canso a ninguém cobiço.
Tudo o que eu te peço
É por tudo que fiz e sei que mereço
Posso, e te confesso.
Você não sabe da missa um terço

Tanto choro e pranto
A vida dando na cara
Não ofereço a face nem sorriso amarelo
Dentro do meu peito uma vontade bigorna
Um desejo martelo

Tanto desencanto
A vida não te perdoa
Tendo tudo contra e nada me transtorna
Dentro do meu peito um desejo martelo
Uma vontade bigorna

Vou certo
De estar no caminho
Desperto."

(Martelo Bigorna - Lenine)

-Quase- Sempre desperta!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ansiedade

Ouvi isso outro dia e tenho sempre lembrado quando não estou tranquila:
Ansiedade é gastar energia apertando o botão do elevador várias vezes, sendo que ele só vai descer na hora certa.
Me sinto mais leve e procuro não gastar energia à toa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Caramelo


Ela é encanto e sedução a todo tempo
Ela é imediatista e egocêntrica, tem que ser na hora que ela quer, do jeito que ela quer
Ela é sonhadora, vive lamentando histórias não vividas
Ela é tão intensa, que acaba metendo os pés pelas mãos
Ela é muito inteligente, perspicaz, proativa. Sempre executa com excelência uma tarefa
Ela é tão altruísta e visionária. Menos quando o assunto é paixão, aí ela é tão cega...
Ela já amadureceu bastante e não julga mais as pessoas, mas sente-se extremamente julgada pelos outros
Ela tem a sensibilidade aguçadíssima e ri na mesma intensidade em que chora. Arrepende-se na mesma intensidade em que age
Ela é uma criança rindo e brincando, uma mulher vivida e sofrida
Ela é amor e amizade a qualquer custo. Tem fascínio pela sua família e seus amigos
Ela odeia se sentir só, mais do que tudo na vida
Ela tem uma determinação invejável, uma força de vontade e nada a tira do seu foco
Ela às vezes exagera, passa por cima do mundo atrás de alguma coisa, mesmo que fantasiosa
Ela é desejada por todos, mas não tem olhos pra ninguém
Ela não sabe, sofre por não saber, mas dizem que ela é linda e doce. Precisa ver! mais parece um caramelo!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Olhos fechados


Fecho os olhos e estou em uma praia linda e deserta. Sozinha, mas cheia de vitalidade e amor. Não existe nada, só mar. O céu está tão azul como nunca esteve. Não existe angústia nem dor. Tudo é certeza e tranquilidade. Não há espaço para perder a razão, perder o senso... tudo é respeito e força. Lembro que isso não é tão distante quanto parece, já me senti assim várias vezes.
Mas agora não, agora abro os olhos e tenho uma dor de cabeça insuportável. Levanto e me machuco. Pisei em um caco de vidro, olho em volta, são muitos caquinhos, além de fotos, risos, pessoas, sentimentos, tudo espalhado e estilhaçado no chão.
Fases da vida são como um redemoinho, começa pequeno e a gente nem percebe, a ansiedade, a desorientação, a tristeza, e o tempo vai passando, sentimos apenas um aperto constante no peito e uma inquietação toda vez que tomamos uma atitude desagradável, mas não damos importância. De repente, quando vemos, o pior já se deu. O furacão passa assim, rápido e avassalador.
Acho que não quero mais abrir os olhos.