A mulher está lá, de frente para o vazio, ele abre os braços e a chama. No fundo, a mulher sabe que o vazio é tão cheio que transborda.
Ela já pode sentir a leveza de abraçá-lo, mas tem medo. Medo de cruzar as mil fronteiras, seguir seu instinto animal e entrar no vazio, ainda que se sinta mais leve.
Nos últimos tempos tem preferido o peso, o peso do dia-a-dia. É bastante compreensível que para ela tenha sido mais cômodo viver assim, o peso já estava alojado às suas costas, bem assentado.
Porém, ela é do tipo de mulher que não tem sossego... E agora a leveza se apresenta despida de qualquer premeditação, de qualquer desgaste ou cansaço em carregar aquele fardo, o fardo da vida comum. Aquela mulher que sempre fica em dúvida entre a vida comum e a imensidão do céu.
Será que chegou a hora da grande escolha? - ela reflete.
Mergulhar de vez... é hora de voar? Por um instante pensa que é pássaro...
Há! não passa de uma comissária de bordo!
Tola!