sábado, 16 de outubro de 2010
Fé
Mas não por opção
Levo um sorriso, às vezes largo, às vezes cansado
Procuro não gastar tantas lágrimas
Pois uso a força que conquistei para não absorver o que não é meu
A certeza de que pouco sei sobre os sentimentos
Nada sei sobre os sabores
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Diário de Feriadão - Cumplicidade
Há tanto sentimento em meu coração, que vc nem sabe
E eu nem sei também
Mais do que ser parente, amigo, amante...
A cumplicidade é algo extremamente vinculado à entrega e ao amor ao próximo
Ser cúmplice significa estender a mão haja o que houver
Estar ao lado, ignorando julgamentos, preconceitos
Ninguém vive sozinho com seus problemas
O que eu queria te dizer é que eu tenho medo
Duas vezes já se repetiu, me sinto muito cansada
Tenho medo de novamente me esgotar e perder o gás que tenho agora
O que eu queria te dizer é que não tenho direito de mudar ninguém
Mas devo ser honesta, existem coisas que não posso suportar
Não devo nem quero apagar da memória tudo que é bom e ruim
Já deve saber como é difícil pra mim encarar tantas questões
Ser a responsável, a equilibrada, a madura, a apaziguadora... Não mais.
O que eu queria te dizer publico na internet
Pois não quero mais ter que falar tanto sobre isso
E não quero uma coversa tão forte, cansativa, dolorosa de tão sincera
Quero encontrar na leveza do toque e do olhar a medida ideal, com poucas palavras
Mas não sei se há como desconstruir e fazer tudo absolutamente diferente
Não sou tão sábia quanto pensas, também me sinto confusa
O que eu queria te dizer
É que sou tão grata a tudo que tem feito que nem pode imaginar
Mas estou me esforçando para não agir em gratidão, não é isso que se quer
Por isso a dúvida
Será que está dentro de você o que eu tanto busco? Mas é preciso explorar.
Ou será ilusão mais uma vez? gratidão, quem sabe...
Não exija tanto de si mesmo...
Será que é capaz de me dar a cumplicidade mais madura que existe?
Não por um instante, uma circustância... mas sempre.
Será?
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Diário de Feriadão - Sonhar
A consciência consegue manter-se linear durante o dia
Mas a noite, o inconsciente entra em ação e manda mensagens das mais diversas
E a manhã torna-se tão esquisita, lembro de todos os sonhos
Mas não vou ficar pensando na loucura deles, prefiro transcender
Prefiro lembrar do quanto tenho esquecido de sonhar
Tantas coisas conquistei simplesmente por sonhar e imaginar
Sem a obrigação de alcançar, apenas sonhando, projetando imagens
O tempo passa, a pressão fica quase insustentável
Esquecemos dos nossos sonhos
domingo, 10 de outubro de 2010
Diário de Feriadão - Levinho, levinho...
Sei que não devo buscá-la
Mas lembrá-la não faz mal, pelo contrário
E aí eu penso: "levinho, levinho..."
Como se estivesse falando para mim mesma
E ao mesmo tempo dando um sopro de leveza no ambiente a minha volta
Mudar de cenário, falar de outras coisas, conhecer pessoas...
É bom e também é melancólico às vezes
Mas isso seria em qualquer circunstância
Talvez não seja mesmo para ficar refletindo, pensando na vida
Talvez o melhor seja não pensar
Algo como meditar de olhos abertos
levinho, levinho...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Música da alma
Minha relação com a arte desde sempre foi através da música. A música sempre entrou não pelos meus ouvidos, mas pelos meus poros. Entrava e tocava dentro do meu peito, fosse para cantar, dançar, improvisar ou apenas sentir.
Algumas coisas são leves por natureza e assim é a música, ela tem, na troca entre as pessoas que a compõem e tocam, uma leveza inerente, um momento em que os espíritos é que estão conduzindo aquela união perfeita.
Mas então porque tanto peso? Não deveria ser pesado, é a coisa mais antinatural que existe.
Que vontade de tirar todo este peso de mim, que não fui eu quem colocou!
Que vontade de partir e ver que em outros lugares existem concepções diferentes, mentes abertas!
Que vontade de ficar e provar para essas almas perdidas que há muito além do que podemos mensurar e ver!
Que vontade de absolutamente nada!
Meu Deus, há tanta coisa que eu preciso entender, preciso de uma certeza inabalável.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Paixões
Paixão 1. Nunca desiste, sempre volta atrás e se contradiz. Aproveita-se da fragilidade, quando é na verdade, mais frágil ainda. Como joga mal!
Paixão 2. A já conhecida dilaceradora, falsa misteriosa. Que fique bem adormecida e longe com suas confusões. Voltará muitas vidas para aprender o que desperdiça.
Paixão 3. Proibida, sonhadora, duradoura. Sempre volta. Ri muito e às vezes chora de arrependimento. É o id. Conforta-se na amizade de longa data.
Paixão 4. Diz que não, mas despreza. E antes era outra coisa... Um dia vai se arrepender. Poderia ser muito mais. Quer ser o super ego.
Paixão 5. Ainda desconhecida. Precipitada às vezes, de muitas palavras. Deveria falar menos e se deixar sentir mais. Contudo, parece compreender.
Paixão 6. Amizade. Dúvida de poder despertar mais uma vez, como um dia foi intocável. Certeza de processos diferentes.
Paixão 7. Pensa que é além do que realmente é. E antes de ser parecia que seria. Não foi. Apesar de tão oportuno. Bem típico.
Paixão 8. Inclui algumas. Duvidosa, que fica no limiar da afetuosidade, simpatia, encanto... É a melhor, pois é sempre leve, talvez por nunca ter se dado.
Paixão 9. Impossível, improvável e, portanto, bastante tentadora.
Paixão 10. Fuga. Qualquer uma que se invente para fugir da solidão.
Como pode com tantas paixões este coração estar vazio?
sábado, 2 de outubro de 2010
Novo de novo
O curioso é que muitas coisas sempre acontecem, mas parece que a vida dá umas pausas. Nunca! Não existem pausas. O que existe é uma condição momentânea mais receptiva e tolerante aos acontecimentos. É isso, a tolerância pairou e estou mais flexível comigo mesma e com os outros. É absolutamente de dentro para fora e não o contrário. Espero me lembrar muito disso!
Assumo a dificuldade em ser firme nas minhas decisões. Aceito não ser uma fortaleza.
Cedo às pressões de muita gente. Muita gente que duvida de mim, hoje sou a pessoa mais competente do mundo, amanhã sou cheia de defeitos!
Mas isso é o de sempre. O que sempre me agita os nervos.
Tudo na vida acaba se repetindo de um jeito novo. Como uma flor que brota e morre e no lugar dela brota uma outra (quase) igual.
Portanto, no meu jardim são muitas flores agora.
Uma em especial está com um pouco de medo de desabrochar, de ficar muito vulnerável na sua condição de rosa aberta, podendo ser despetalada assim sem que se peça licença.
A linda rosa, que tem um espírito tão antigo e já desabrochou tantas vezes, deixando que fizessem considerações presunçosas sobre seu perfume, não quer ser tocada, nem tem a menor intenção de se precipitar, revelando pétalas ainda sem a cor ideal. Ela quer abrir-se a seu tempo para viver o novo de novo, usufruir do eterno reencontro cotidiano.
Mas que coisa que a cativa assim no ar e sobe quase arrancando-lhe os espinhos!
Todo o jardim de acontecimentos por um instante olha só para ela e suspira sossegado. Pois sabe... nessa vida nada é definitivo.

