quinta-feira, 24 de abril de 2014

Busca

É uma falta.
Mas suspeito que seja uma saudade do que ainda não conheci.
Porque por mais que eu tenha o coração dividido em três, nenhuma das partes está completa, cada uma guarda um grande espeço oco.
E com certeza não é por eu estar fisicamente distante, pois quando eu estava próxima era quase igual. Eram preenchimentos sim, transbordantes até, porém efêmeros e voltavam para o vácuo.
Andar pela rua, ler um excelente livro, tocar uma canção, observar os lugares e comportamentos me preenchem, me fazem espiritualmente conectada e presa ao momento presente. Aquela certeza da existência, da felicidade pura por ela mesma, do ar que entra e faz respirar todo o corpo físico e mental. Mas minha imaturidade faz esta sensação passar muito rápido e novamente o pensamento, a busca por alguma das três partes, como se fosse encontrar satisfação. Inútil. Porque a parte 1 é uma página já escrita e rabiscada diversas vezes; a parte 2 é um papel de carta decorado e perfumado, enviado e rejeitado; e a parte 3, mais branquinha e transparente de todas, já cumpre brilhantemente sua função de mensagens de otimismo, verdade e amor, com um toque de paixão, já está em um lugar especial, embora para mim nunca seja o bastante.
Preciso encontrar uma maneira de me sentir cheia, como me senti certa vez no alto da montanha, abraçando o universo, envolvendo a minha própria alma.
A verdade é que embora tenha chegado conectada neste lugar novo, não cheguei toda. Ainda estou dividida, como se esperasse por algo que me una a mim mesma.
Talvez seja este o sentido de estar aqui agora.
Preciso me ver inteira.

Um comentário:

  1. Que lindo e profundo. Sentimentos puros e verdadeiros. Palavras doces e suaves. Reflexão com certeza!

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