Aprendi a ser surfista e pegar a melhor onda, ficar bem
na crista admirando as paisagens
Saio de cabeça feita, com o pulmão cheio de vida e a alma
lavada
Mas naquele dia, quando tudo parecia que ia ser assim, não
foi
Meus pulmões sufocaram, pois a onda me deu um
caldo na hora que eu estava equilibrada, sentindo o vento
Equilíbrio... Não é como deitar na prancha e permanecer tranquilo na superfície. É aquilo que te mantém ali por meio da
sua própria força em ficar de pé, você não afunda, mas tem noção e sabe até
onde vai toda a profundidade.
Haviam dois surfistas (além de todos os outros). Não que
eles fossem responsáveis pelo meu surfe desastroso daquele dia, mas sim, me tiraram do foco. No momento crucial, aquela sucessão de ondas
gigantes, risos, músicas, assuntos... eles passavam por mim querendo conduzir
minhas manobras, querendo que elas fossem previsíveis e chegassem no ponto que
eles ingenuamente achavam ideal.
Sou do mar, me entendo com ele
há bastante tempo. Não quero ser presunçosa, mas me desconcentram os surfistas
iniciantes, aqueles que estão ali pela brincadeira e não pela experiência em
si. Me afligem superfícies rasas. Por isso me afoguei, perdi o "bom feeling" da onda.
Prefiro esperar as marés, noites inteiras e amanhecer só solidão, pois o
meu amor está baseado nas ondas do mar. Só assim eu
consigo explicar.

