sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Surfista solitária


Aprendi a ser surfista e pegar a melhor onda, ficar bem na crista admirando as paisagens
Saio de cabeça feita, com o pulmão cheio de vida e a alma lavada
Mas naquele dia, quando tudo parecia que ia ser assim, não foi
Meus pulmões sufocaram, pois a onda me deu um caldo na hora que eu estava equilibrada, sentindo o vento
Equilíbrio... Não é como deitar na prancha e permanecer tranquilo na superfície. É aquilo que te mantém ali por meio da sua própria força em ficar de pé, você não afunda, mas tem noção e sabe até onde vai toda a profundidade.
Haviam dois surfistas (além de todos os outros). Não que eles fossem responsáveis pelo meu surfe desastroso daquele dia, mas sim, me tiraram do foco. No momento crucial, aquela sucessão de ondas gigantes, risos, músicas, assuntos... eles passavam por mim querendo conduzir minhas manobras, querendo que elas fossem previsíveis e chegassem no ponto que eles ingenuamente achavam ideal. 
Sou do mar, me entendo com ele há bastante tempo. Não quero ser presunçosa, mas me desconcentram os surfistas iniciantes, aqueles que estão ali pela brincadeira e não pela experiência em si. Me afligem superfícies rasas. Por isso me afoguei, perdi o "bom feeling" da onda.
Prefiro esperar as marés, noites inteiras e amanhecer só solidão, pois o meu amor está baseado nas ondas do mar. Só assim eu consigo explicar.

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