terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Hesitante

Estávamos naquele dia, que mais parecia um dia qualquer... Ou então eram alguns dias, algumas vidas passadas, reunidas no momento.
Aquele momento, você lembra?
A gente olhava da pedra, a água escura do lago que a cachoeira formava, em volta uma paisagem deslumbrantemente misteriosa, rica, natural. Tudo perfeito, encaixado, como um quadro cheio de cores vivas.
Contemplei por alguns instantes, enquanto você também o fazia. Olhei a água que brilhava com o reflexo do Sol e fui andando para pular, queria estar molhada dos pés a cabeça.
Quando estava quase pulando, vi você, hesitante e tranquilo, avaliando a temperatura, a profundidade... O que haveria no fundo do lago?
Em meio à imensa euforia, já com um dos pés fora do chão, ao te ver bem mais atrás, paralisei. Me veio uma tristeza momentânea. Queria saltar, sem pensar em mais nada, queria uma sensação surpreendente, e você também estava gostando de apreciar meu salto, tanto que estranhou a pausa.
Tudo bem, dei meia volta, um pouco a contragosto, mas certa de que o salto de um não valia, já não estava valendo, tinha que ser em conjunto.
Pensei, talvez seja prudente ponderar um pouco, sentir mais o ar, aproveitar cada instante até chegar ao momento crucial do mergulho, se assim for para acontecer. Respiro, acho que até me sinto melhor, não sei... meus pés estão um pouco machucados, já que fui tão esbaforida.
Enfim, sentei na pedra e consegui meditar. Você continuou de pé, fazendo suas ponderações, mas não saiu do meu lado.
No entanto, me restou uma saborosa dúvida: Porque não quis saltar comigo?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Guerra dos Sexos

A mulher duvida, mas vai
O homem diz que não, mas faz
A mulher queria, mesmo sem querer
O homem se perde ao satisfazer
A mulher confunde, é passional
O homem busca, sem sucesso, ser racional
A mulher tola, teme ser trocada
O homem, mais tolo, não quer incomodá-la

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Bem?

Fazer o bem.
O que é isso?
Será que as vezes por trás da gentileza, da simpatia, da solicitude,  existe um egoísmo velado? Inconsciente até... Aquela necessidade de fazer apenas o que lhe convém, com o falso entendimento de que não está prejudicando os outros.
Vejo que quando deixamos de fazer algo pela humanidade, quando nos entregamos demais à vida terrena com suas tentações, esquecemos de nós mesmos, de tudo e de todos. Algumas pessoas vivem assim e se escondem atrás dos sorrisos. Por isso, é tão comum enganar-se com essas pessoas. Porque nem elas sabem ao certo o que estão deixando para a eternidade, pelo imediatismo de viver a euforia, a preguiça e os desejos de cada dia.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Mar e Céu

Por todo lado a visão é a que sempre sonhei: Apenas o mar e o céu.
Como esquecer, se é só o que vejo?
Platonicamente a distância me aproxima, desperta minhas lembranças
Busco histórias e cenários que se sobreponham a este arrebatamento,
Que foi o último suspiro (ou sufoco) de paixão iludida na minha alma
Em vão.
Nada, nunca será comparável à contemplação do mar e do céu.
Olhando o horizonte é que se entende a infinitude dos sentimentos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nem tudo.

Tudo posso
Tudo quero
Quero muito
Faço tudo
Tudo é pouco
Riso louco
Dia é noite
Vida em açoite
Adoeço
Perco o chão
Olho lá, sem ninguém
Do tudo posso, uma conclusão
Nem tudo me convém.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Encontro

Naquele beat exato, compassado
Minha melodia vinha e ia
Deixei transparecer toda minha partitura
Você desvendou, explorou minha tecitura
Serei eu a que canta sua música
Ou por mim você fez convenção única,
Nos tons das ondas do mar
Ressoando no meu peito
Solfejando sem ar