Estávamos naquele dia, que mais parecia um dia qualquer... Ou então eram alguns dias, algumas vidas passadas, reunidas no momento.
Aquele momento, você lembra?
A gente olhava da pedra, a água escura do lago que a cachoeira formava, em volta uma paisagem deslumbrantemente misteriosa, rica, natural. Tudo perfeito, encaixado, como um quadro cheio de cores vivas.
Contemplei por alguns instantes, enquanto você também o fazia. Olhei a água que brilhava com o reflexo do Sol e fui andando para pular, queria estar molhada dos pés a cabeça.
Quando estava quase pulando, vi você, hesitante e tranquilo, avaliando a temperatura, a profundidade... O que haveria no fundo do lago?
Em meio à imensa euforia, já com um dos pés fora do chão, ao te ver bem mais atrás, paralisei. Me veio uma tristeza momentânea. Queria saltar, sem pensar em mais nada, queria uma sensação surpreendente, e você também estava gostando de apreciar meu salto, tanto que estranhou a pausa.
Tudo bem, dei meia volta, um pouco a contragosto, mas certa de que o salto de um não valia, já não estava valendo, tinha que ser em conjunto.
Pensei, talvez seja prudente ponderar um pouco, sentir mais o ar, aproveitar cada instante até chegar ao momento crucial do mergulho, se assim for para acontecer. Respiro, acho que até me sinto melhor, não sei... meus pés estão um pouco machucados, já que fui tão esbaforida.
Enfim, sentei na pedra e consegui meditar. Você continuou de pé, fazendo suas ponderações, mas não saiu do meu lado.
No entanto, me restou uma saborosa dúvida: Porque não quis saltar comigo?
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