sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 5 (Maio/2015)

Culpa das estrelas?













Quando nasce a mulher, nasce junto, embutida no seu corpo, na sua alma: a culpa. Fica ali guardada e a cada acontecimento de sua maturidade, vai aparecendo.
Sou filha de pais separados. Meus pais se separaram quando eu ainda era bem pequena, entre seis e sete anos de idade. Pensar nisso me traz recordações tristes. Não tenho lembranças muito claras, apenas flashes. Lembro que fomos felizes, mas não consigo lembrar de nenhum momento, nenhuma situação em que estávamos os três juntos, não sei porque. Se não fossem as muitas fotografias que minha mãe sempre guardou, seria difícil acreditar.
Eu era uma criança e participei dos problemas dos adultos, não fui poupada de nada, foi pesado. Acho que o esquecimento e a tristeza se devem a isso.
Mas hoje, mais de vinte anos depois, apesar da lembrança infeliz, está tudo muito bem resolvido pra mim, tenho uma família grande e maravilhosa, o que inclui uma segunda mãe e uma meia irmã que amo mais do que se fosse irmã inteira. Portanto, a pauta deste capitulo não é bem essa.
O que ocorre é que, quando comecei a passar por situações adultas, comecei a vivenciar o sentimento de culpa. Estar no meio daquela situação, por si só já me fazia me sentir culpada por alguma coisa, que eu nem sabia o que era. Às vezes eu sentia que meus pais tinham mais trabalho em lidar com tudo aquilo, devido à minha simples existência. Como se eu fosse uma mala pesada, cheia de coisas importantes que não podem ser descartadas, então tem que ser carregada pra lá e pra cá, durante todas as escalas e conexões de uma longa e cansativa viagem.
Depois dessa veio a culpa de ter que me dividir. Se eu estava com minha mãe, pensava que meu pai estaria triste pela minha ausência e o contrário também ocorria. Apesar que sempre me senti mais culpada pelo meu pai, até hoje, não sei por que. Eu sempre achava que estava incomodando em algo, sempre queria agradar, sempre sentia que devia pedir desculpas por alguma coisa. Acho que isso deve ter a ver com o Complexo de Édipo, certeza!
Depois que comecei a namorar, veio outra culpa. Estar com os amigos e deixar o namorado, estar com o namorado e deixar os amigos e a família. Pra mim sempre foi difícil fazer este tipo de escolha e ficar bem com ela.
Por fim, a culpa pelos fracassos dos meus relacionamentos. Isso inclui também as amizades. Aquelas amizades que se rompem e as pessoas simplesmente deixam de ser amigas, nunca soube lidar com isso. Sempre me sinto responsável por tudo e levo um tempo pra entender que simplesmente acaba, não tenho culpa pelo fim, nem pelo sofrimento da outra pessoa. Ou tenho?

O que tento hoje é resolver minhas culpas passadas, deixar minha mente limpa, evitar me cobrar tanto, porque sei que muitas culpas ainda me esperam depois dos 30. Acho que sou mesmo uma virginiana chata e louca e balzaquiana e cheia de conflitos. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 4 (Abril/2015)

Não ter certeza













Quando somos jovens e nos imaginamos perto dos 30, achamos que quando chegarmos lá teremos certeza de tudo. Já vamos ter encontrado o homem da nossa vida, a vida profissional estará totalmente resolvida, já teremos absoluta independência financeira e saberemos exatamente o que fazer com o nosso dinheiro, já não vamos nos magoar tanto, nem nos aproximar ou nos apaixonar pelas pessoas erradas, pois já saberemos exatamente quem elas são...
Só que não.
De fato, algumas dessas coisas ficam bem resolvidas com a maturidade, mas bem longe de serem todas elas. As dúvidas estão presentes a cada segundo, os sentimentos mudam a cada dia, as fases, momentos... Uma recorrência cansativa de altos e baixos.
Realmente chegar aos 30 não é nem um pouco como eu imaginei. Às vezes choro compulsivamente como uma adolescente que não sabe o que fazer. Me apaixono loucamente e no dia seguinte já não sei mais. Continuo tentando atender às expectativas das outras pessoas. No fundo, às vezes me considero tão imatura. Por outro lado, me orgulho também por não ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Sei que é preciso controlar um pouco a ansiedade, dar tempo ao tempo, ter fé na sabedoria da vida, se permitir errar... Afinal de contas, que graça teria ter certeza de tudo? Já saber o que vem por aí? Por mais adolescente que pareça, acho que a vida é mesmo uma aventura, uma descoberta, o clichê da caixa de surpresas.

Buscando a tão sonhada paz em não ter certeza.