sábado, 26 de junho de 2010

Simplicidade

A gente demora pra perceber que o melhor da vida é o mais simples, o mais espontâneo, o mais inesperado. A família, aquele sentimento único que a gente não sabe explicar; uma risada; um laço eterno; uma troca de palavras gentis; um carinho. Quero voar tão alto e às vezes esqueço que estar num lugar especial com pessoas que amo pode me deixar nas nuvens de tão feliz. Abrir meu coração, dar todo o meu carinho num abraço apertado em quem está precisando tanto de mim, ficar junto, colado, dormir e acordar... Cuidar do outro e se sentir cuidado, receber café bem quente com leite da vaca, sopinha e paozinho de sal. Porque queremos tanto se precisamos de tão pouco para estarmos plenos? Não sei... só sei que na maior parte do meu tempo eu quero tantas coisas que é preciso tirar uns dias para sorrir apenas, sem me preocupar com o passar dos dias. Nestes tempos ou naqueles, me vejo como aquela que tem sempre um colo para dar, uma mão para estender, um sorriso para abrir. Me sinto feliz assim.
*Dedico à minha família, especialmente minhas primas Cela e Lica.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sobre o fim

Lembro-me do meu último copo de refrigerante, era Guaraná Antártica (ou kuat) na Pizza Hut da Barra. Eu estava sozinha, pensativa, há horas sem comer, andando de carro por aí, então parei pra comer uma fatia de pizza com refrigerante. Enquanto eu bebia, parece que uma voz dentro de mim falava que aquele era meu último copo. Isso deve ter no mínimo uns 3 anos, de lá pra cá nunca mais bebi refrigerante, a não ser um golinho de alguém quando a sede aperta e não tem mais nada pra beber. A sensação que tive naquele momento foi o que eu chamaria de certeza do fim. Era como se algo tivesse ficado para trás, era o fim de alguma coisa, o fim dos anos em que bebi refrigerante de todos os tipos. Recentemente tive esta mesma sensação, esta sensação de fim, esta certeza. Às vezes acontece e é muito curioso. Não sei se do fim vem a certeza ou se a certeza que faz o fim. De qualquer maneira, sinto como se eu subisse mais um degrau da escada da maturidade quando determino o fim. Parece uma atitude que estava guardada no peito e só faltava um fio de coragem para dizer: pronto! acabou. a partir de hoje será diferente. Gosto deste momento. Não sou muito adepta da teoria de que o tempo vai dizendo, as coisas vão se ajustando, apesar de saber que muitas vezes é assim mesmo. Assim, encaro o fim mais como transformador e pouco com morbidez. Acho que é por isso que me espanto quando as pessoas são tão mal resolvidas com os fins, ou ficam em cima do muro ou dão um ponto final mais do que traumático, afirmando o tempo todo que não vão voltar atrás, mas morrendo de medo disso. Eu não tenho medo de voltar atrás. Mas aí (quem sabe) ficará pra outro post, sobre o (re)começo...
E é isso.
Fim.

sábado, 19 de junho de 2010

Saramago

Se tudo é processo não existe começo, meio e fim, tudo acontece junto.
Não existe passado ou futuro.
Não existem rótulos, não existem lugares, não existe ficção e realidade.
Não há distinção entre fala e pensamento.
Não há espaço, não há o que não caiba em qualquer coisa, em qualquer momento.
Vírgula, ponto, parágrafo. São iguais.
Não há o impossível, o impensável.
Sem limites, sem bondade nem maldade, sem intenções.
Imprevisível, elevado, insubstituível.
José Saramago. Universal.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Falso mistério

Agora sou eu quem decifra. Decifro com raiva, sim! Mas com gratidão à minha intuição e ao universo que sempre conspira ao meu favor, não procuro, é conspiração, é cósmico. Estou até um pouco surpresa pela seqüência de coincidências, só pode ser um aviso de que algo não cheira muito bem. Farejo de longe...
Pois bem, pensas que és misterioso? Para mim nunca foi. De fato, fico um pouco confusa, só às vezes... Mas, não és tu quem me confundes, afinal quem tem boca diz o que quer e eu sei muito bem disso. Confundo-me por que não estou vigilante a todo tempo, em alguns momentos me deixo bailar ao som das ilusões de um mundo sincero. Mas a lucidez, esta nunca me abandona, desde que deixei de ser menina.
Quero leveza, quero liberdade, quero belos momentos, mas, principalmente, quero clareza, quero verdade. Foi-se o tempo de acreditar na sinceridade total, não é isso! Acredito na coerência. És tão vivido e não sabe dos lemas da vida adulta (aquela, a responsável, eu me refiro), como, só a título de exemplo: Não se pode ter tudo, é preciso optar. Ou até: não se brinca com os sentimentos dos outros.
Dê-me o direito de escolher se quero participar das tuas confusões, posso até querer, nunca se sabe. Mas não me submeta a algo sem me perguntar se estou de acordo.
Aliás, não, não... retiro tudo o que disse.
Faça como quiser, sejas quem tu és.
Assim observo com cautela e na hora que me for conveniente te dou uma bela rasteira.
Let's talk about business.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Metamorfose


Recomeço do fim. Procuro refazer minhas esperanças.
Tento não olhar para trás, não consigo.
Talvez este seja o momento de olhar mesmo.
As lágrimas correm quando querem, não controlo.
A comida desce insosa, sem gosto.
Perco as forças, sei que não é hora de me cobrar tanto.
Tudo fica sem graça, sem sentido, vazio.
Acho que vou me fechar num casulo por uns tempos, como larva.
Com a certeza de que em breve surgirá uma borboleta...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Volúvel

Me iludo na certeza da dúvida
Me arrasto no passar dos dias
Me apaixono por uma frase, uma coincidência, um encontro, um presente
Me entretenho no jogo de palavras incompreendidas, silêncios eternizados
Me derreto com um mínimo sinal
Me arrependo por ser tão transparente e entregue
Me condeno por pensar muito e produzir pouco
Me escondo na frente da tela do meu computador
Me vigio passo a passo
Me justifico na espera de um momento ideal
Me pego sonhando acordada, fugindo da realidade
Me acomodo esperando que tomem as decisões por mim
Me envolvo escrevendo, compondo, refletindo dentro do redemoinho
Me engano com a televisão bem baixinha, fazendo companhia
Me alivio por ser consciente de todas as jogadas
Me comovo muito, muito facilmente

terça-feira, 8 de junho de 2010

Oriente x Ocidente (Parte 1)

Para os orientais, tudo o que nos rodeia tem energia.
Dizem que na Índia algumas pessoas desligam luzes e aparelhos e até atravessam paredes, através do poder da mente. De fato, não é fácil ver uma imagem como esta, primeiro porque essas pessoas não têm interesse em publicarem estes atos, aliás, acho que nunca nem pensaram nisso, pois estão bastante ocupadas com questões, digamos, mais elevadas... Segundo porque, ainda que estivéssemos de frente para uma situação assim, nossos sentidos não seriam capazes de receber tal informação, isto é, não conseguiríamos ver. Devido a um simples fato: somos ocidentais.
Nossa! Quantas limitações isso nos dá! Como acreditamos em tantas coisas que nos foram passadas e que uma grande maioria reafirma, sem nos darmos conta, sem nem pararmos pra pensar, simplesmente fazendo, seguindo, cotidianamente...
Assim, estabelecemos relações bastante superficiais, possessivas, descartáveis, vazias; Nos alimentamos mal, adoçantes, acidulantes, aromatizantes... acreditando comer muuito bem; Tomamos uma cacetada de remédios que mais prejudicam do que curam... remédios que "servem" para toda e qualquer pessoa, sejam lá quais forem seus hábitos, história de vida. (Ãh???)
E então ficamos surpresos com uma matéria no Globo Repórter sobre a cura de doenças por meio de chás ou misturas de alimentos. Inclusive chamamos de milagre a resolução de um problema físico ou psíquico através de meditação ou rituais de energização.
Com isso não quero dizer que somos de todo tolos. É claro que não. Até porque não somos, cada um, dentro da sua realidade ocidental, culpados por tamanha ignorância. Nascemos e crescemos, aliás, antes de nascermos já fazemos parte de um inconsciente coletivo, que é ocidental e aparentemente "cada vez mais ocidentalizado" por uma influência americana, que detém o poder de ditar comportamentos e infiltrar pensamentos.
Enfim, há tanto a se falar sobre isso, uma questão puxa outra. Certamente o assunto ainda perdurará por outros posts.
Por enquanto, fica a pergunta:
Estamos mesmo evoluindo?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Solidão


Tentativa de preencher os espaços vazios, não adianta.
Insistente ela é.
Busca nas pessoas, nos afazeres, em tudo que está a sua volta. Não resolve.
Interna ela é.
O e-mail que não chega, o telefone que não toca, a vontade que não vem.
Birrenta ela é.
O silêncio, a falta, a angústia.
Confusa ela é.
O relógio que não anda, as mudanças que não acontecem.
Tediosa ela é.
A esperança no dia de amanhã, lugares e pessoas que encontrará. Inútil.
Onipresente ela é.
A preguiça, o cansaço, a melancolia.
Triste ela é.
Solidão.
Inerente ao ser humano ela é.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Difícil...

Como é difícil ter que fazer tantas coisas, desde levantar da cama, trabalhar, ser cordial com as pessoas quase o tempo inteiro. Viver é bom, tem que ser bom... mas como é difícil. Não é a toa que se diz o clichê "é preciso saber viver."
A vida exige responsabilidade... sei que muitos não tem comprometimento com nada, é claro... mas eu, particularmente, sinto o quanto a vida adulta exige de mim, o quanto naturalmente me sinto responsável pelo trilhar dos meus caminhos e o quanto me culpo todas as vezes que me vejo irresponsável, inconseqüente.
Isso me faz pensar no outro, no sentimento do outro, no cuidado com o outro... onde termina o espaço do outro e começa o seu? Até que ponto você deve abrir mão dos seus interesses em prol do outro? Nunca sabemos qual este ponto exato.
Mas, acredito que de uma forma geral, o amor entre as pessoas acaba conduzindo as coisas, dando encaminhamento para essas questões sem resposta. Por isso, ainda que seja tão difícil viver, penso que muitas vezes, não no dia-a-dia, mas no nosso íntimo, viver significa amar.
E, há pouquíssimo tempo ouvi uma das coisas mais bonitas que alguém já me disse... Foi exatamente o que me fez pensar nas dificuldades da vida e sobretudo no amor.
A frase saiu assim, como que fazendo o resumo de uma avalanche de sentimentos:
"Vai ser muito mais difícil sem você".
Para ouvir esse tipo de coisa, vale a pena levantar todos os dias...