sexta-feira, 28 de junho de 2013

É tudo só brincadeira e verdade...

Aquela vontade já conhecida, a que nasceu comigo, minha velha amiga
Aquela que me faz acordar todos os dias com uma melodia na cabeça, com uma poesia na ponta do dedo, um cenário de cinema, um contexto, uma cena
Ela adormece às vezes, fica tranquilinha, como que esperando o momento exato de despertar novas expectativas
Expectativas sim! Porque não? São as expectativas que me movem, a maioria delas fracassadas, frustradas, continuam me movendo para todo o sempre, na delícia de aprender, no amadurecimento de cada lágrima derramada
Me sinto feliz como a menina que sonha acordada, que parte de um mínimo pensamento e consegue dar a volta ao mundo em 5 segundos, viver e morrer 20 vezes, renascer a cada instante, a cada ideia, na certeza inabalável de estar seguindo o seu caminho
Vivo sim em dois mundos: O normal que todo mundo vive, se encontra, socializa, etc; e o que se passa dentro da minha mente, o picadeiro louco, onde cada um é o que eu quero que seja
Pois bem, enquanto a minha deusa interior seguia adormecida, coincidência ou não (certamente não), me apareceram cores desconhecidas, uns cinquenta tons, mas não de cinza, que mudam a cada luz, momento, sentimento
Nuances que tem uma incrível displicência própria capaz de me entreter, me queimando por dentro e por fora
Uma linda palheta de cores em toda a parte, ah! como gosto de contemplá-las...
A deusa interior acordadíssima saltitante, meu superego olhando para ela com desprezo, meu inconsciente mergulhando de cabeça, minha consciência mais pensante e produtiva do que nunca, dando longas pausas para inebriar-se com as diversas nuances do verde-mel-marrom.
Meus 50 tons (são meus porque sou eu quem vê), minha vontade de rir, de viver e de vencer: uma combinação perfeita!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Desaprender

Logo eu, amante dos mistérios, surpresas, conquistas...


Desaprendi a suspirar
Desaprendi a esperar
Desaprendi a acalmar

Desaprendi o fluir
Desaprendi o não possuir
Desaprendi o dom de iludir

Desaprendi em deixar acontecer
Desaprendi em ver pra crer
Desaprendi em só ser

E olha que sempre achei que esta história de desaprender fosse lenda.

Borboletas me ergam! Ansiosa para reaprender!
Ops! Ansiosa não, curiosa apenas.

domingo, 16 de junho de 2013

Falas, olhares, sentimentos

"If I stay here just a little bit longer
If I stay here won't you listen to my heart..."
Às vezes eu queria ter o poder de entrar na mente de outra pessoa.
Porque aquilo que alguém diz sempre deixa brechas...
E aquilo que alguém não diz abre um abismo enorme.
Se as pessoas sempre dissessem exatamente aquilo que sentem (sem dissimular), poderia ser um pouco chato, mas confesso que eu me sentiria muito mais livre e leve. Não precisaria segurar as palavras que querem escapar dos meus sentimentos. E ainda teria "certeza" de que as palavras que ouço são de verdade.
Será que quem não fala sobre os sentimentos é porque não sente, ou sente, mas não gosta de falar ou não queria sentir e por isso não fala?
Tem gente que fala muito e acaba dizendo o que não sente ou achando que sente só porque falou.
Olhando o outro lado da moeda, na maioria das vezes acho que o olhar é mais valioso que as palavras.
Afinal, o olhar tem a ver com o sentir.
Com exceção dos psicopatas, penso que ninguém consegue dissimular um olhar.
E se você chega àquele momento perfeito de olhar, em qualquer situação, aquele momento exato no qual os olhares se cruzam e é como se fossem palavras, frases inteiras, numa língua indecifrável...
Talvez o idioma da alma, do coração.
Eu sempre sinto, às vezes falo, às vezes olho.
Mas o não sentir (ou sentir pouco) é algo que não faz parte da minha estadia nesta vida (nem nas outras).
Meu espírito grita por emoções e sentimentos a todo instante.

Tudo meu

Distante quando queria perto, chega quando não espero
Na verdade sempre espero, meu ritmo acelero (mais?)
Este outro ritmo conheço, mas não sei se é natural
Antes parecia mais, agora parece banal
Ou talvez eu não possa saber o que ainda não é e nem está perto do fim
Superficial não gosto, me aprofundo mesmo assim
Para meus impulsos, vontades, prefiro dizer um sim
Sempre sairá perdendo quem não me olhar por dentro
Meu sangue é colorido, minhas veias são doces
De dia sou menina e cigana a noite
Pense, pare, veja, sinta minha alma de caramelo
E se tudo não são flores, meu jardim é secreto
Eu que planto, eu que rego, sobretudo me entrego
Meus braços estão abertos e o vento bate na minha cara
O que eu vivo só me pertence, não vou esperar mais nada.

domingo, 9 de junho de 2013

Na rua dos bobos, número zero

Era uma vez uma casa
Casa bonita, ar fresco, bem arrumada
Muitas vezes era invadida por uma ventania que tirava algumas coisas do lugar
Mas logo tudo voltava a ficar arrumado, embora com alguma poeira que acabava ficando embaixo do tapete e dos móveis
Um dia começou a ventar forte e para surpresa do vento ninguém se apressou em fechar as janelas como era de costume
E o vento ventou por um tempo
Tudo foi ficando fora do lugar e a poeira que estava acumulada por baixo daquela beleza de casa foi subindo
Um dos moradores se deu conta, mas sozinho não podia fazer muita coisa e não encontrou ninguém pra ajudar, pois o outro acabara de ficar cego e nada podia fazer
Então ele acabou desistindo e deixou como estava, enquanto o outro recuperava um pouco a visão, mas bem pouco mesmo
Quando parecia que no meio daquela bagunça, ao menos o vento tinha parado de ventar, veio uma tempestade muito forte, seguida de mais vento, desta vez um vento perfumado, muito perfumado e doce
O cego, ao contrário do que se podia imaginar, sentia o cheiro bem de longe, quase nada
O da vista boa se inebriava com aquele perfume exatamente na hora em que pensou em arrumar a linda casa, não conseguia, só sabia dançar no balanço perfumado do vento
Às vezes parava e se perguntava: "Como pode vento ter perfume?" 
Então tinha medo olhando a bagunça cada vez maior
Mas aí novamente a fragrância da brisa impregnava suas narinas
E ficaram os três ali naquela dança empoeirada: O cego, o louco e o vento.
Pensaram: "Vamos esperar a poeira baixar."

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Telepatia na linha do horizonte

















"Mar sob o Céu cidade na luz, mundo meu canção que eu compus..."
Uma garrafa, como aquelas que se joga no oceano em filmes
Dentro uma carta que fala de canções, astros, olhares, verdades, vontades
Me transporto telepaticamente para a linha do horizonte
Uma telepatia voraz, única maneira de me "comunicar" neste momento
Fico lá o dia inteiro, o tempo inteiro, um sonho inteiro
Não lembro do sonho, mas a certeza de que foi ali naquela dimensão
Um segundo, um milésimo, tempo nenhum
Tempo de Sol ou Chuva, qualquer tempo é bom entre o Céu e o Mar
Lá sempre a era é de "Aquarius", de compaixão, racionalidade, e certa solidão feliz
Não tenho pressa (talvez um pouco), porque o que é pra ser será
E se não for, mesmo assim já é, pois a gente quer ver o horizonte distante
Eu gosto de ser um só, sem amarras
O que não gosto é de ser só um, sem mudanças
Portanto, nem tente compreender, cada dia uma faceta
Hoje aquela, sereia flutuante, deitada na linha do horizonte

sábado, 1 de junho de 2013

Caminhada

Chega um dia que a gente percebe que as coisas não precisam ser pra já
Chega um dia que a gente encontra um equilíbrio entre amor próprio e amor ao próximo
Chega um dia que a gente olha pra trás e não quer repetir os mesmos erros
Chega um dia que a gente entende que a estrada vai além do que se vê
Chega um dia que a gente recebe e ouve claramente aquela mensagem que vem do fundo do peito, aquele sinal que faltava pra fazermos a coisa certa
Chega um dia que a gente cresce por dentro 
Porque para a espiritualidade não existe tempo, não existe começo nem fim, existe você que segue numa caminhada contínua, onde suas escolhas definem as paisagens que irá encontrar  

"Tô voltando
Não sei quando
Pra roubar teu coração
Vou chegar no final de mais uma canção."