domingo, 9 de junho de 2013

Na rua dos bobos, número zero

Era uma vez uma casa
Casa bonita, ar fresco, bem arrumada
Muitas vezes era invadida por uma ventania que tirava algumas coisas do lugar
Mas logo tudo voltava a ficar arrumado, embora com alguma poeira que acabava ficando embaixo do tapete e dos móveis
Um dia começou a ventar forte e para surpresa do vento ninguém se apressou em fechar as janelas como era de costume
E o vento ventou por um tempo
Tudo foi ficando fora do lugar e a poeira que estava acumulada por baixo daquela beleza de casa foi subindo
Um dos moradores se deu conta, mas sozinho não podia fazer muita coisa e não encontrou ninguém pra ajudar, pois o outro acabara de ficar cego e nada podia fazer
Então ele acabou desistindo e deixou como estava, enquanto o outro recuperava um pouco a visão, mas bem pouco mesmo
Quando parecia que no meio daquela bagunça, ao menos o vento tinha parado de ventar, veio uma tempestade muito forte, seguida de mais vento, desta vez um vento perfumado, muito perfumado e doce
O cego, ao contrário do que se podia imaginar, sentia o cheiro bem de longe, quase nada
O da vista boa se inebriava com aquele perfume exatamente na hora em que pensou em arrumar a linda casa, não conseguia, só sabia dançar no balanço perfumado do vento
Às vezes parava e se perguntava: "Como pode vento ter perfume?" 
Então tinha medo olhando a bagunça cada vez maior
Mas aí novamente a fragrância da brisa impregnava suas narinas
E ficaram os três ali naquela dança empoeirada: O cego, o louco e o vento.
Pensaram: "Vamos esperar a poeira baixar."

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