Casa bonita, ar fresco, bem arrumada
Muitas vezes era invadida por uma ventania que tirava algumas coisas do lugar
Mas logo tudo voltava a ficar arrumado, embora com alguma poeira que acabava ficando embaixo do tapete e dos móveis
Um dia começou a ventar forte e para surpresa do vento ninguém se apressou em fechar as janelas como era de costume
E o vento ventou por um tempo
Tudo foi ficando fora do lugar e a poeira que estava acumulada por baixo daquela beleza de casa foi subindo
Um dos moradores se deu conta, mas sozinho não podia fazer muita coisa e não encontrou ninguém pra ajudar, pois o outro acabara de ficar cego e nada podia fazer
Então ele acabou desistindo e deixou como estava, enquanto o outro recuperava um pouco a visão, mas bem pouco mesmo
Quando parecia que no meio daquela bagunça, ao menos o vento tinha parado de ventar, veio uma tempestade muito forte, seguida de mais vento, desta vez um vento perfumado, muito perfumado e doce
O cego, ao contrário do que se podia imaginar, sentia o cheiro bem de longe, quase nada
O da vista boa se inebriava com aquele perfume exatamente na hora em que pensou em arrumar a linda casa, não conseguia, só sabia dançar no balanço perfumado do vento
Às vezes parava e se perguntava: "Como pode vento ter perfume?"
Então tinha medo olhando a bagunça cada vez maior
Mas aí novamente a fragrância da brisa impregnava suas narinas
E ficaram os três ali naquela dança empoeirada: O cego, o louco e o vento.
Pensaram: "Vamos esperar a poeira baixar."
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