Ah, como era esperado este arrebatamento! Como já falei dele tantas e inúmeras vezes. A onda que bate na pedra com força, arrebata, desfaz seu movimento, espalha toda a espuma. Espuma de sentimento, de energia, de entrega absoluta.
No céu a Lua, vermelha num fenômeno natural, mas pra mim metaforicamente em chamas! Me emociono sem deixar que a emoção fique incontrolável.
E quando a Lua se vai, já não sinto da mesma maneira, já não grito por dentro nem me desespero, enfim, é chegada a tão sonhada maturidade.
Já não machuco tanto as pessoas, sou mais sincera comigo mesma, embora saiba que posso ser ainda mais.
Já não me machuco tanto também. Sigo me permitindo envolver-me nas ilusões, nas falas da boca pra fora... Me permito com os ouvidos bem abertos e os olhos ainda mais atentos e fixos, numa mirada precisa.
Caio em mim, porque é o clichê, mas caio confortavelmente. Com lágrimas sim, com lástima também... Mas confortável na companhia de mim mesma, antes desprezada pela minha própria pessoa, hoje conversando eu comigo tranquila, sem pressa.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 3 (Março/2015)
Ser mãe
É engraçado como do nada nos surgem sentimentos inexplicáveis. Aqueles que as pessoas falavam pra você que um dia você ia sentir e você achava que era bobagem.
Sempre gostei de criança, me encantou desde sempre, porém de
uma forma tranquila... Eu gostava de brincar com as crianças, fazer careta, rir
pra elas na rua. No fundo, eu tinha dúvidas se um dia eu ia querer ser mãe. Me
via muitas vezes com 50 anos, até casada, mas sem filhos.
Agora é diferente. Agora parece que eu vejo um brilho no
olho de cada criança que passa por mim. Consigo estabelecer com elas uma
conexão diferente, especial. É mágico, parece um momento só meu e daquela
criança que está rindo pra mim, o mundo parece que para por um instante. Passei
a ter vontade de sentir este amor que nunca experimentei. Quer dizer, a minha
crença espírita diz que já experimentei, tanto que tenho a sensação de saber
exatamente como vai ser e por isso uma vontade enorme de viver isso. Uma
certeza incrível de que serei mãe nos próximos anos e vou exercer mais este
papel tão importante na vida de uma mulher.
Penso na minha mãe. Jamais vi de perto um amor tão
grandioso, tão poderoso. Embora a gente passe tanto tempo sem se ver, pelas
escolhas que fiz, apesar disso, fecho os olhos e posso sentir o abraço dela,
posso ouvir a voz dela, posso ter convicção de que ela está pensando em mim,
orando por mim.
Acredito que não exista sentimento mais puro que de uma mãe
pelo seu filho, amor mais profundo, mais verdadeiro e forte, capaz de tudo.
Quero viver isso.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 2 (Fevereiro/2015)
Este segundo capítulo é mais um desabafo. Desabafo de uma mulher sufocada, sem paciência, cansada... Muito cansada! Exausta.
Parece piegas, mas não é. Não tenho pena de mim mesma. É a
pura verdade, estou cansada de sofrer por amor. Não me cansei dos homens, nem
pretendo usar o clichê de que homem é tudo igual etc etc... Cansei foi de
sofrer mesmo.
Deixar corações dilacerados por aí me dói duas vezes. A primeira é a minha própria dor, a segunda é a dor do outro, que me atinge como uma bala no peito. Poderia ser mais simples, cada um com sua dor. Mas se fosse, não faria parte dos conflitos...
Deixar corações dilacerados por aí me dói duas vezes. A primeira é a minha própria dor, a segunda é a dor do outro, que me atinge como uma bala no peito. Poderia ser mais simples, cada um com sua dor. Mas se fosse, não faria parte dos conflitos...
A sorte de um amor tranquilo? Ainda não tive.
Já me diverti muito, me apaixonei várias vezes, sempre intensa, sempre
saboreando cada passo da conquista, sempre chorando muito no final e depois
começando outra vez.
Talvez por isso eu esteja cansada, por despender tanta
energia no amor.
A sensação que tenho é que, neste momento, a
ascensão deve ser só minha, como se eu precisasse terminar de subir as escadas
da realização pessoal (aquela escada que eu já mencionei), para aí sim estar
pronta para me entregar totalmente a alguém. Típico da mulher balzaquiana
moderna? Talvez... Amante, parceira e cúmplice, mas pé no chão, o amor
próprio, a profissão e a realização em primeiro lugar.
Contudo, tenho a certeza de que tem valido a pena, sempre vale. Por que minha intensidade não é falsa, ao contrario, é visceral mesmo, amo com todo o meu coração, vivencio o romance como se fosse o primeiro e o último da minha vida e, assim, guardo as melhores lembranças que alguém pode ter. Além dos laços, que se eternizam, ainda que a paixão acabe.
Contudo, tenho a certeza de que tem valido a pena, sempre vale. Por que minha intensidade não é falsa, ao contrario, é visceral mesmo, amo com todo o meu coração, vivencio o romance como se fosse o primeiro e o último da minha vida e, assim, guardo as melhores lembranças que alguém pode ter. Além dos laços, que se eternizam, ainda que a paixão acabe.
E com o coração sangrando e a mente trabalhando, a vida me
empurra a caminho do topo da autoconfiança, da plenitude. Sim, acredito na
plenitude individual. Acredito que alguém deve me transbordar e não completar,
pois quero já estar completa, podendo assim contribuir de forma madura para a
vida de alguém, e, portanto amar.
Espero me sentir pronta antes do último capítulo.
Ou não.
Ou não.
domingo, 20 de setembro de 2015
Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 1 (Janeiro/2015)
Dois mundos no entrelace da vida.
O caminho que me fez chegar até aqui me coloca frente às
minhas fraquezas e ri. Displicente igual ao menino que corre atrás da bola, pra
onde quer que ela vá.
Neste primeiro capítulo, lanço ideias um pouco confusas, uma
catarse de palavras que tentam se orientar a quase trinta anos, afinal de
contas começa o conflito! E não poderia começar diferente, falar do coração e
das coisas que afligem uma mulher nas suas relações.
Explícito, como no cinema, a diferença nítida entre feminino
e masculino (me refiro mais especificamente às almas feminina e masculina).
Perfeita colisão dada pelo supremo ser, a oportunidade de aprender com o sexo
oposto, feitos para serem desejados, um pelo outro. Eles que, por serem
opostos, se odeiam e amam, simultaneamente.
Talvez a mulher moderninha seja uma farsa. Bom mesmo à moda
antiga, ser cortejada, conquistada, surpreendida. Como uma mulher antiga mesmo,
lá dos anos 20, daquela libertina, fiel, companheira, feliz e deprimida ao
mesmo tempo. Me remeto a essa mulher, pois sei que mesmo atravessando o tempo,
a mente de uma mulher guarda iguais conflitos e algumas mudanças se impuseram a
nós a contragosto, ou melhor a gosto de uma minoria. O meu lado feminista está
extremamente confuso agora.
A necessidade de recolhimento é recorrente e dura uns dias.
Para transpor a vaidade, ansiedade e dispersão, e também tentar ir além das
terríveis falhas da comunicação humana, na qual duas pessoas conseguem
transmitir exatamente o contrário do que gostariam. Não somente entre um casal,
mas penso que é comum entre as pessoas, especialmente se vivem num mesmo
espaço.
Um fluxo energético nada harmonioso impregna minha alma,
interferindo diretamente na minha saúde física, mental e psicológica. Sim,
absorvo muito do mundo externo, infelizmente.
Uma briga inútil com a ampulheta do tempo - “quero tudo
resolvido neste instante agora” – que pirraça e mostra a cada grão de areia uma
mensagem curta e clara: Paciência!
No entanto, me encanta essa busca, que paradoxal! Mesmo num
momento de questões e conflitos tão abundantes, consigo achar graça de mim
mesma. Como se eu pudesse viajar até o futuro, olhar pra trás e gargalhar, do
tanto que a duras penas, como uma tola, que somos todos, subi mais alguns degraus
da minha escada evolutiva.
Suando, nas últimas, segurando no corrimão, tentando
entender tudo aquilo que foge à minha compreensão, mas sempre pra frente, pra
cima.
Vamos ver onde irei chegar no próximo capitulo.
domingo, 13 de setembro de 2015
Furacão
Como um furacão
Devasta meu coração
Se a calmaria tinha se instalado
Nisso o poder está do seu lado
Mesmo que eu pedisse, nunca me prendeu
Ainda que fugisse, sempre me rendeu
Se a calmaria tinha se instalado
Nisso o poder está do seu lado
Mesmo que eu pedisse, nunca me prendeu
Ainda que fugisse, sempre me rendeu
Muito tempo vai passando
Minha vida nunca deixa de ir andando
Mas basta aquele olhar imutável
Distraída, fico vulnerável
Penetra na minha alma
Furacão, leva embora a calma
Sacoleja meu peito, entorpece minha mente
A minha cabeça hipnotiza completamente
Eu como zumbi nessa sua dança
Eu como zumbi nessa sua dança
De me perseguir você nunca cansa.
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