sábado, 7 de novembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 6 (Junho/2015)

Eixo

Neste momento me entristece a repetição dos acontecimentos. Não compreendo bem porque sempre passa a mesma coisa. Porque a angústia, a lamentação, a expectativa. Não que eu me arrependa... Já mencionei aqui que no final das contas eu concluo que valeu a pena.
Será que tem que ser assim? Será um traço da minha personalidade? Me entregar sem ressalvas, enquanto as outras pessoas não. Porque tem sido tão recorrente me envolver com pessoas que querem limitar a relação? Porque as pessoas acham que os limites vão impedir o sofrimento? Vejo que sofrer é inevitável, é inerente a nós, independente de se limitar ou não. A diferença é que limites rígidos nos fazem viver menos... Mas é apenas o meu ponto de vista. Que agora começo a rever.
Na verdade, acho que preciso de um tempo pra mim... Preciso me dar este tempo. Me centrar um pouco, acalmar os sentimentos antes de tomar atitudes ou promover mudanças, talvez seja o mais maduro a fazer.
Pra isso não é necessário me afastar dos outros, estar só... apenas tenho que estar atenta ao meu foco, manter a serenidade e seguir buscando um pouco de paz. Assim, não importará como os outros encarem, e sim, a minha própria vivência. Essa é uma busca diária, que tento nunca perder de vista, procurar me conectar com as “good vibes”. Elas estão sempre por aí.
Falar em boas energias me traz à mente um outro assunto: A negatividade das pessoas. É incrível como sempre nos deparamos com pessoas negativas, pessoas que querem fazer mal, seja por algum trauma, por inveja, insegurança... procuram o lado ruim das coisas e atuam para prejudicar.
E eu, chegando aos 30, ainda me vejo um pouco vulnerável a essas pessoas, como se, por mais experiência que eu tenha tido, ainda não foi suficiente para me calejar, para que tais maldades não me atinjam tanto. Acho que isso também tem a ver com o foco, o centro. Como se eu tivesse que tentar achar um eixo, que independente do que ocorra ao meu redor eu permaneça quase intacta.
É engraçado amadurecer, ter mais consciência, pois é exatamente onde você percebe que sabe muito pouco, tem tanto a aprender... vejo pessoas mais novas ou menos experientes falando de verdades tão absolutas, sentindo-se totalmente  maduras e penso: “Com o tempo você vai ver que tudo é tão mutável...” Apenas ouço e observo, me encanta observar, como uma criança. Deixo pensarem que sou uma criança. Gostaria mesmo de ter a pureza e a sabedoria de uma criança. Isso me faria estar mais distraída e ao mesmo tempo mais entregue a mim mesma.

Porque quando se está atentamente distraído, se dão os acontecimentos mais surpreendentes da vida, como um ímã instalado bem no seu centro, eixo perfeito que atrai o que há de melhor.

Um comentário:

  1. Muito bom! Precisamos ter foco, claro, mas ficando distraído acontece realmente coisas inusitadas, imperceptíveis, extraordinárias.

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