sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pensando alto


Cada vazio é diferente do outro.
Talvez pelo tempo que vai passando,
As experiência que vão calejando,
Ou talvez porque tem que ser diferente mesmo.
Mas não deixa de ser "angustiantemente" vazio.
O de agora é a imagem de um lugar imenso onde antes foi um circo, mas só ficaram os restos:
Um pedaço de pano, alguma purpurina, malabares velhos, um arco torto...
A lembrança do palhaço que se foi
Astro de todo aquele circo
Levou com ele o riso, a euforia, a ilusão
Tudo no seu caminhão, à procura de outro lugar qualquer
Ou a procura de nada, sem rumo, parando onde a paisagem lhe conquistar por algum tempo.
Eu que sempre fui protagonista dos meus palcos de histórias, sento no que restou da arquibancada, expectadora agora, e apenas observo o caminhão sumindo aos poucos no horizonte.
Uma lágrima me escorre. Lágrima colorida de palhaço triste, feita de tinta.
Sim, guardei pra mim os resquícios, tornei-me um pouco palhaça também.
Uma respirada quase calma, longa pausa, para recomeçar a encher o meu vazio.
Quem sabe um outro circo, outro espetáculo... Pensei alto.
Quem sabe um dia o mesmo circo, em outro vazio.

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