segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Quase amor

Onde guardar um quase amor?
Um amor assim que não foi, mesmo sendo, o que um dia poderia ter sido.
Onde encaixar a dúvida?
Uma dúvida que no fundo é quase certeza que era isso mesmo, mas ainda assim incessante dúvida.
Como armazenar as lembranças?
Lembranças que passaram, mas parecem tão vivas, mesmo sendo passado querem se fazer presente.
Deve ser mais fácil um amor sem duvidas nem lembranças. Aquele que a gente faz tudo, não pestaneja. 
Seria certeiro. Seria completo, estaria aqui.
Mas é um meio-amor. 
Não sei se está mais perto de ser um amor inteiro ou de ir diminuindo até ser amor nenhum... Só sei que é meio.
Só a saudade.... Ah saudade! Paradoxalmente imensa, inteira.
No meu quase eu, meu quase amor faz toda falta!
Porque um chocolate, ainda que meio amargo, guarda a doçura, o gozo, a delícia do chocolate.

Nas voltas do meu coração

Não pensei que tão rápido abriria meu coração 
Ainda que não seja nada demais (e não é)
Somente pra provar a mim mesma que a força da atração é imbatível 
Aquilo que você exala, vai vir até você 
Da forma mais inesperada
Às vezes tão clichê que surpreende
Porém sutil, porque jamais abandonarei a sutileza numa aproximação 
A maturidade me deu calma e vontade de esperar o tempo exato do momento.
Porque sinto uma certeza tão precisa que me dá até medo
A certeza de que as voltas do meu coração estão prestes a parar por uns tempos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

For a thousand years


Completa.
Cheia.
Transbordando, sem exageros.
Alegria, sem euforia.
Certeza. Absoluta.
Serena, disposta.
Livre, presa por vontade própria.
Conectada em mim, em nós.
A hora certa.
A espera.
De um encontro.
Por mil anos.
Tranquila.
Desperta.

Vos

Quem é você
Me perdi na magia do amor
Um encanto talvez me cegou
Não pude perceber

Quem é você
Suas palavras escapam no ar
Você diz, mas não dá pra encontrar
O seu rosto afinal

Quem foi você
Que me fez esquecer a razão
Invadiu meu querer de ilusão
Pra depois me escapar

Será você
Que agora eu vejo tão frio
Foi morar num espaço vazio
Tão normal pra você

Sobre você
Que enfeitou o que era banal
Riu, partiu e brincou, coisa e tal
Já não quero saber

domingo, 22 de novembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 8 (Agosto/2015)

Visão de mundo
É, nossa visão de mundo muda muito com tempo e com as experiências que a gente vive.
Claro que tem pessoas que passam a vida inteira numa bolha impenetrável, tudo acontecendo do lado fora e a pessoa segue inerte, não agrega nada, não cresce nem contribui para o crescimento dos outros.
No meu caso, estou sempre buscando o que me faz sentir mais plena, mais madura talvez, mais sagaz. É preciso ter coragem, como diz a música, é preciso saber viver... De fato. Me encanta o desafio e mesmo derramando lagrimas e tendo que deixar muita coisa pra trás, eu vou, pulo, salto, muitas vezes em queda livre. É o que tem me feito crescer mais nos últimos tempos.
Foi vivendo longe da família em busca do sucesso, viajando todo o tempo, que eu percebi que a vida não é só sucesso. Conhecer pessoas de diferentes partes do mundo, observar diferentes costumes, voltar a uma mesma cidade, antes estranha, toda semana e poder criar uma relação especial com este lugar, poder lembrar da família que está longe por algum detalhe muito especifico e se sentir ainda mais perto deles... Fascinantes descobertas que escrevo aqui exatamente no mês do meu aniversário. Este mês chego aos meus 30. Tanto foi feito e a vontade de fazer mais é maior ainda. É como se eu tivesse a meta muito clara, mas ao mesmo tempo, eu hoje permito que  vida me mostre para onde devo ir, o que devo fazer, pois é assim que tenho recebido os melhores presentes do destino...
O crescimento profissional também é inevitável. Volto a falar da relatividade do sucesso. Exatamente onde estou, sou hoje um grande sucesso. Faço um trabalho reconhecido por todos, me entrego totalmente ao publico que meu aplaude ao fim de cada canção, todos os dias, de domingo a domingo.
É engraçado como essa coisa de crise dos 30 é real, ou se não é, pelo menos comigo aconteceu, muito embora tenha sido nos meus 29. Ao fazer 30, sinto um ciclo se fechando, como se eu tivesse ficado mais leve, mais espontânea e com uma visão mais ampla da minha vida.
Mesmo com momentos de angustia e ansiedade, me compele hoje uma sensação boa de que tudo vai sempre dar certo. E é verdade. Cada vez que eu acredito, sem pressa, sem aquela agonia própria da juventude, as coisas naturalmente se encaixam.
Já falei sobre destino, porque acredito nele. Acredito que existe uma trilha que vamos percorrendo durante a nossa vida, uma trilha que você não tem como fugir. Basta escolher aceitar percorrê-la ou tentar, inutilmente, fugir dela. Não estou sendo fatalista... Ao contrario, passei bastante tempo capengando pra achar qual era a minha trilha, pra alinhar minha dança com a música que toca na minha estrada. Penso que esta busca faz parte de uma vida em amadurecimento crescente, é preciso buscar e não parar nunca.
Mas depois que me encontrei e me abri para o mundo, sinto a juventude indo embora, ainda que alguns desejos permaneçam, começo a dar lugar a sentimentos mais estáveis, mais tranquilos, entendendo a beleza das coisas que duram.
Percebo em mim o grande prazer e desafio diário de ser feliz!

Pronto! Cheguei nos 30.

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 7 (Julho/2015)

One Love

Incrível como ainda me pergunto o que é o amor.
Será o amor um sentimento único, ou existem tipos de amor?
Sei sobre o amor que sinto pela minha família e pelos meus amigos mais próximos. Mas me refiro ao amor romântico mesmo, que une duas pessoas.
Não que eu não já tenha vivido nesses trinta anos histórias extremamente apaixonadas, já mencionei em outro capítulo que foram e são muito relevantes e intensas. Pensando no amor puro, acho inclusive que amo de verdade os homens com os quais tive histórias longas, são pessoas que quero um bem imenso, me preocupo e fazem parte das minhas orações. Mas aquela certeza, certeza absoluta, aquele sentimento de que vai ser pra sempre, aquela completude... Acho que só senti uma vez, no máximo duas. E sim, é como se faltasse algo ainda, é como se a minha felicidade não estivesse completa.
Ao menos, agora, depois das experiências que tive, especialmente neste último ano, o ano em que estou completando 30, tenho certeza do que não é amor. Sei exatamente quando estou vivendo algo bacana, apaixonante até, mas que vai ter um fim próximo, vai se transformar, pelo simples fato de não ser amor. Já me confundi muito, misturei tudo, mas hoje, muito embora no meio de cada processo o aspecto passional ainda confunda um pouco as ideias, no fundo, racionalmente, tenho mais tranquilidade e clareza sobre o que não me completa.
Cansam-me um pouco os inícios e fins, pois ainda que não seja amor, a entrega e troca de energia são sempre absolutas. Mas não existe pra mim outra maneira de viver as experiências, buscar, tentar, me atirar na vida.
Continuo esperando e lançando para o universo que, como um ímã, a pessoa que eu busco venha até mim e eu até ela, acredito no destino, sei que ele é implacável. Navego pela vida sem pressa, na certeza de que o amor me alcançará.

sábado, 21 de novembro de 2015

Eu

Um dia você se dá conta de que tudo na sua vida é sobre você.
Tudo aquilo a sua volta, que parece tão externo, parece tão fora de você, tão independente...
Na verdade é de dentro.
Como se do seu centro partissem os raios que emitem energias para fora e destes mesmos raios vem o que está fora, bem pra dentro, no meio, no centro do peito.
Começa e termina em você.
É exatamente neste ponto que você percebe que cada coisa tem a exata importância que você dá. Porque a coisa em si não importa.
Na verdade a coisa em si nem existe. A não ser que você dê vida à ela, podendo torná-la muito grande ou bem pequena.
Uma dor, uma alegria, um arrependimento, um encontro...
Sem egocentrismo ou nada do tipo, é preciso por um momento perceber que tudo em seu entorno é você. 
São personagens, experiências, histórias, do seu destino, exclusivamente.
Neste ponto também diminui a necessidade de compartilhar todas as suas vivências com muitas pessoas, assim como facilita entender a efemeridade das relações. Elas vêm, cumprem sua função e vão, já que cada um tem sua trilha própria a seguir.
Não estou falando de isolamento, não tem nada a ver com isso.
E sim com enxergar a profundidade em conversar com você mesmo.
O que não é dito pra fora, pode ser melhor ouvido e absorvido pra dentro.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Pensando alto


Cada vazio é diferente do outro.
Talvez pelo tempo que vai passando,
As experiência que vão calejando,
Ou talvez porque tem que ser diferente mesmo.
Mas não deixa de ser "angustiantemente" vazio.
O de agora é a imagem de um lugar imenso onde antes foi um circo, mas só ficaram os restos:
Um pedaço de pano, alguma purpurina, malabares velhos, um arco torto...
A lembrança do palhaço que se foi
Astro de todo aquele circo
Levou com ele o riso, a euforia, a ilusão
Tudo no seu caminhão, à procura de outro lugar qualquer
Ou a procura de nada, sem rumo, parando onde a paisagem lhe conquistar por algum tempo.
Eu que sempre fui protagonista dos meus palcos de histórias, sento no que restou da arquibancada, expectadora agora, e apenas observo o caminhão sumindo aos poucos no horizonte.
Uma lágrima me escorre. Lágrima colorida de palhaço triste, feita de tinta.
Sim, guardei pra mim os resquícios, tornei-me um pouco palhaça também.
Uma respirada quase calma, longa pausa, para recomeçar a encher o meu vazio.
Quem sabe um outro circo, outro espetáculo... Pensei alto.
Quem sabe um dia o mesmo circo, em outro vazio.

sábado, 7 de novembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 6 (Junho/2015)

Eixo

Neste momento me entristece a repetição dos acontecimentos. Não compreendo bem porque sempre passa a mesma coisa. Porque a angústia, a lamentação, a expectativa. Não que eu me arrependa... Já mencionei aqui que no final das contas eu concluo que valeu a pena.
Será que tem que ser assim? Será um traço da minha personalidade? Me entregar sem ressalvas, enquanto as outras pessoas não. Porque tem sido tão recorrente me envolver com pessoas que querem limitar a relação? Porque as pessoas acham que os limites vão impedir o sofrimento? Vejo que sofrer é inevitável, é inerente a nós, independente de se limitar ou não. A diferença é que limites rígidos nos fazem viver menos... Mas é apenas o meu ponto de vista. Que agora começo a rever.
Na verdade, acho que preciso de um tempo pra mim... Preciso me dar este tempo. Me centrar um pouco, acalmar os sentimentos antes de tomar atitudes ou promover mudanças, talvez seja o mais maduro a fazer.
Pra isso não é necessário me afastar dos outros, estar só... apenas tenho que estar atenta ao meu foco, manter a serenidade e seguir buscando um pouco de paz. Assim, não importará como os outros encarem, e sim, a minha própria vivência. Essa é uma busca diária, que tento nunca perder de vista, procurar me conectar com as “good vibes”. Elas estão sempre por aí.
Falar em boas energias me traz à mente um outro assunto: A negatividade das pessoas. É incrível como sempre nos deparamos com pessoas negativas, pessoas que querem fazer mal, seja por algum trauma, por inveja, insegurança... procuram o lado ruim das coisas e atuam para prejudicar.
E eu, chegando aos 30, ainda me vejo um pouco vulnerável a essas pessoas, como se, por mais experiência que eu tenha tido, ainda não foi suficiente para me calejar, para que tais maldades não me atinjam tanto. Acho que isso também tem a ver com o foco, o centro. Como se eu tivesse que tentar achar um eixo, que independente do que ocorra ao meu redor eu permaneça quase intacta.
É engraçado amadurecer, ter mais consciência, pois é exatamente onde você percebe que sabe muito pouco, tem tanto a aprender... vejo pessoas mais novas ou menos experientes falando de verdades tão absolutas, sentindo-se totalmente  maduras e penso: “Com o tempo você vai ver que tudo é tão mutável...” Apenas ouço e observo, me encanta observar, como uma criança. Deixo pensarem que sou uma criança. Gostaria mesmo de ter a pureza e a sabedoria de uma criança. Isso me faria estar mais distraída e ao mesmo tempo mais entregue a mim mesma.

Porque quando se está atentamente distraído, se dão os acontecimentos mais surpreendentes da vida, como um ímã instalado bem no seu centro, eixo perfeito que atrai o que há de melhor.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 5 (Maio/2015)

Culpa das estrelas?













Quando nasce a mulher, nasce junto, embutida no seu corpo, na sua alma: a culpa. Fica ali guardada e a cada acontecimento de sua maturidade, vai aparecendo.
Sou filha de pais separados. Meus pais se separaram quando eu ainda era bem pequena, entre seis e sete anos de idade. Pensar nisso me traz recordações tristes. Não tenho lembranças muito claras, apenas flashes. Lembro que fomos felizes, mas não consigo lembrar de nenhum momento, nenhuma situação em que estávamos os três juntos, não sei porque. Se não fossem as muitas fotografias que minha mãe sempre guardou, seria difícil acreditar.
Eu era uma criança e participei dos problemas dos adultos, não fui poupada de nada, foi pesado. Acho que o esquecimento e a tristeza se devem a isso.
Mas hoje, mais de vinte anos depois, apesar da lembrança infeliz, está tudo muito bem resolvido pra mim, tenho uma família grande e maravilhosa, o que inclui uma segunda mãe e uma meia irmã que amo mais do que se fosse irmã inteira. Portanto, a pauta deste capitulo não é bem essa.
O que ocorre é que, quando comecei a passar por situações adultas, comecei a vivenciar o sentimento de culpa. Estar no meio daquela situação, por si só já me fazia me sentir culpada por alguma coisa, que eu nem sabia o que era. Às vezes eu sentia que meus pais tinham mais trabalho em lidar com tudo aquilo, devido à minha simples existência. Como se eu fosse uma mala pesada, cheia de coisas importantes que não podem ser descartadas, então tem que ser carregada pra lá e pra cá, durante todas as escalas e conexões de uma longa e cansativa viagem.
Depois dessa veio a culpa de ter que me dividir. Se eu estava com minha mãe, pensava que meu pai estaria triste pela minha ausência e o contrário também ocorria. Apesar que sempre me senti mais culpada pelo meu pai, até hoje, não sei por que. Eu sempre achava que estava incomodando em algo, sempre queria agradar, sempre sentia que devia pedir desculpas por alguma coisa. Acho que isso deve ter a ver com o Complexo de Édipo, certeza!
Depois que comecei a namorar, veio outra culpa. Estar com os amigos e deixar o namorado, estar com o namorado e deixar os amigos e a família. Pra mim sempre foi difícil fazer este tipo de escolha e ficar bem com ela.
Por fim, a culpa pelos fracassos dos meus relacionamentos. Isso inclui também as amizades. Aquelas amizades que se rompem e as pessoas simplesmente deixam de ser amigas, nunca soube lidar com isso. Sempre me sinto responsável por tudo e levo um tempo pra entender que simplesmente acaba, não tenho culpa pelo fim, nem pelo sofrimento da outra pessoa. Ou tenho?

O que tento hoje é resolver minhas culpas passadas, deixar minha mente limpa, evitar me cobrar tanto, porque sei que muitas culpas ainda me esperam depois dos 30. Acho que sou mesmo uma virginiana chata e louca e balzaquiana e cheia de conflitos. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 4 (Abril/2015)

Não ter certeza













Quando somos jovens e nos imaginamos perto dos 30, achamos que quando chegarmos lá teremos certeza de tudo. Já vamos ter encontrado o homem da nossa vida, a vida profissional estará totalmente resolvida, já teremos absoluta independência financeira e saberemos exatamente o que fazer com o nosso dinheiro, já não vamos nos magoar tanto, nem nos aproximar ou nos apaixonar pelas pessoas erradas, pois já saberemos exatamente quem elas são...
Só que não.
De fato, algumas dessas coisas ficam bem resolvidas com a maturidade, mas bem longe de serem todas elas. As dúvidas estão presentes a cada segundo, os sentimentos mudam a cada dia, as fases, momentos... Uma recorrência cansativa de altos e baixos.
Realmente chegar aos 30 não é nem um pouco como eu imaginei. Às vezes choro compulsivamente como uma adolescente que não sabe o que fazer. Me apaixono loucamente e no dia seguinte já não sei mais. Continuo tentando atender às expectativas das outras pessoas. No fundo, às vezes me considero tão imatura. Por outro lado, me orgulho também por não ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Sei que é preciso controlar um pouco a ansiedade, dar tempo ao tempo, ter fé na sabedoria da vida, se permitir errar... Afinal de contas, que graça teria ter certeza de tudo? Já saber o que vem por aí? Por mais adolescente que pareça, acho que a vida é mesmo uma aventura, uma descoberta, o clichê da caixa de surpresas.

Buscando a tão sonhada paz em não ter certeza.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Arrebatamento

Ah, como era esperado este arrebatamento! Como já falei dele tantas e inúmeras vezes. A onda que bate na pedra com força, arrebata, desfaz seu movimento, espalha toda a espuma. Espuma de sentimento, de energia, de entrega absoluta.
No céu a Lua, vermelha num fenômeno natural, mas pra mim metaforicamente em chamas! Me emociono sem deixar que a emoção fique incontrolável.
E quando a Lua se vai, já não sinto da mesma maneira, já não grito por dentro nem me desespero, enfim, é chegada a tão sonhada maturidade.
Já não machuco tanto as pessoas, sou mais sincera comigo mesma, embora saiba que posso ser ainda mais.
Já não me machuco tanto também. Sigo me permitindo envolver-me nas ilusões, nas falas da boca pra fora... Me permito com os ouvidos bem abertos e os olhos ainda mais atentos e fixos, numa mirada precisa.
Caio em mim, porque é o clichê, mas caio confortavelmente. Com lágrimas sim, com lástima também... Mas confortável na companhia de mim mesma, antes desprezada pela minha própria pessoa, hoje conversando eu comigo tranquila, sem pressa.

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 3 (Março/2015)

Ser mãe










É engraçado como do nada nos surgem sentimentos inexplicáveis. Aqueles que as pessoas falavam pra você que um dia você ia sentir e você achava que era bobagem.
Sempre gostei de criança, me encantou desde sempre, porém de uma forma tranquila... Eu gostava de brincar com as crianças, fazer careta, rir pra elas na rua. No fundo, eu tinha dúvidas se um dia eu ia querer ser mãe. Me via muitas vezes com 50 anos, até casada, mas sem filhos.
Agora é diferente. Agora parece que eu vejo um brilho no olho de cada criança que passa por mim. Consigo estabelecer com elas uma conexão diferente, especial. É mágico, parece um momento só meu e daquela criança que está rindo pra mim, o mundo parece que para por um instante. Passei a ter vontade de sentir este amor que nunca experimentei. Quer dizer, a minha crença espírita diz que já experimentei, tanto que tenho a sensação de saber exatamente como vai ser e por isso uma vontade enorme de viver isso. Uma certeza incrível de que serei mãe nos próximos anos e vou exercer mais este papel tão importante na vida de uma mulher.
Penso na minha mãe. Jamais vi de perto um amor tão grandioso, tão poderoso. Embora a gente passe tanto tempo sem se ver, pelas escolhas que fiz, apesar disso, fecho os olhos e posso sentir o abraço dela, posso ouvir a voz dela, posso ter convicção de que ela está pensando em mim, orando por mim.
Acredito que não exista sentimento mais puro que de uma mãe pelo seu filho, amor mais profundo, mais verdadeiro e forte, capaz de tudo.
Quero viver isso.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 2 (Fevereiro/2015)

Cansada de sofrer por amor

Este segundo capítulo é mais um desabafo. Desabafo de uma mulher sufocada, sem paciência, cansada... Muito cansada! Exausta.
Parece piegas, mas não é. Não tenho pena de mim mesma. É a pura verdade, estou cansada de sofrer por amor. Não me cansei dos homens, nem pretendo usar o clichê de que homem é tudo igual etc etc... Cansei foi de sofrer mesmo.
Deixar corações dilacerados por aí me dói duas vezes. A primeira é a minha própria dor, a segunda é a dor do outro, que me atinge como uma bala no peito. Poderia ser mais simples, cada um com sua dor. Mas se fosse, não faria parte dos conflitos...
A sorte de um amor tranquilo? Ainda não tive. Já me diverti muito, me apaixonei várias vezes, sempre intensa, sempre saboreando cada passo da conquista, sempre chorando muito no final e depois começando outra vez.
Talvez por isso eu esteja cansada, por despender tanta energia no amor. 
A sensação que tenho é que, neste momento, a ascensão deve ser só minha, como se eu precisasse terminar de subir as escadas da realização pessoal (aquela escada que eu já mencionei), para aí sim estar pronta para me entregar totalmente a alguém. Típico da mulher balzaquiana moderna? Talvez... Amante, parceira e cúmplice, mas pé no chão, o amor próprio, a profissão e a realização em primeiro lugar.
Contudo, tenho a certeza de que tem valido a pena, sempre vale. Por que minha intensidade não é falsa, ao contrario, é visceral mesmo, amo com todo o meu coração, vivencio o romance como se fosse o primeiro e o último da minha vida e, assim, guardo as melhores lembranças que alguém pode ter. Além dos laços, que se eternizam, ainda que a paixão acabe.
E com o coração sangrando e a mente trabalhando, a vida me empurra a caminho do topo da autoconfiança, da plenitude. Sim, acredito na plenitude individual. Acredito que alguém deve me transbordar e não completar, pois quero já estar completa, podendo assim contribuir de forma madura para a vida de alguém, e, portanto amar.
Espero me sentir pronta antes do último capítulo.
Ou não.

domingo, 20 de setembro de 2015

Conflitos de uma Balzaquiana - Cap. 1 (Janeiro/2015)

Dois mundos no entrelace da vida.

O caminho que me fez chegar até aqui me coloca frente às minhas fraquezas e ri. Displicente igual ao menino que corre atrás da bola, pra onde quer que ela vá.
Neste primeiro capítulo, lanço ideias um pouco confusas, uma catarse de palavras que tentam se orientar a quase trinta anos, afinal de contas começa o conflito! E não poderia começar diferente, falar do coração e das coisas que afligem uma mulher nas suas relações.
Explícito, como no cinema, a diferença nítida entre feminino e masculino (me refiro mais especificamente às almas feminina e masculina). Perfeita colisão dada pelo supremo ser, a oportunidade de aprender com o sexo oposto, feitos para serem desejados, um pelo outro. Eles que, por serem opostos, se odeiam e amam, simultaneamente.
Talvez a mulher moderninha seja uma farsa. Bom mesmo à moda antiga, ser cortejada, conquistada, surpreendida. Como uma mulher antiga mesmo, lá dos anos 20, daquela libertina, fiel, companheira, feliz e deprimida ao mesmo tempo. Me remeto a essa mulher, pois sei que mesmo atravessando o tempo, a mente de uma mulher guarda iguais conflitos e algumas mudanças se impuseram a nós a contragosto, ou melhor a gosto de uma minoria. O meu lado feminista está extremamente confuso agora.
A necessidade de recolhimento é recorrente e dura uns dias. Para transpor a vaidade, ansiedade e dispersão, e também tentar ir além das terríveis falhas da comunicação humana, na qual duas pessoas conseguem transmitir exatamente o contrário do que gostariam. Não somente entre um casal, mas penso que é comum entre as pessoas, especialmente se vivem num mesmo espaço.
Um fluxo energético nada harmonioso impregna minha alma, interferindo diretamente na minha saúde física, mental e psicológica. Sim, absorvo muito do mundo externo, infelizmente.
Uma briga inútil com a ampulheta do tempo - “quero tudo resolvido neste instante agora” – que pirraça e mostra a cada grão de areia uma mensagem curta e clara: Paciência!
No entanto, me encanta essa busca, que paradoxal! Mesmo num momento de questões e conflitos tão abundantes, consigo achar graça de mim mesma. Como se eu pudesse viajar até o futuro, olhar pra trás e gargalhar, do tanto que a duras penas, como uma tola, que somos todos, subi mais alguns degraus da minha escada evolutiva.
Suando, nas últimas, segurando no corrimão, tentando entender tudo aquilo que foge à minha compreensão, mas sempre pra frente, pra cima.
Vamos ver onde irei chegar no próximo capitulo.

domingo, 13 de setembro de 2015

Furacão

Como um furacão
Devasta meu coração
Se a calmaria tinha se instalado
Nisso o poder está do seu lado
Mesmo que eu pedisse, nunca me prendeu
Ainda que fugisse, sempre me rendeu
Muito tempo vai passando
Minha vida nunca deixa de ir andando
Mas basta aquele olhar imutável 
Distraída, fico vulnerável 
Penetra na minha alma 
Furacão, leva embora a calma
Sacoleja meu peito, entorpece minha mente
A minha cabeça hipnotiza completamente
Eu como zumbi nessa sua dança
De me perseguir você nunca cansa.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Uma segurada

Segurar o vento
Atrasar o tempo
Interromper a gravidade
Não sentir saudade...
Pára-quedas nunca tive
Minha queda é sempre livre
Seguro nas nuvens, nas estrelas, no arco-íris...
Já que é durante o salto que se vive.
Então vejo sua alma caindo arrastada
De tanto pensar em dar segurada.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Aburrida

Não consigo mais me descrever, pois estou sempre em mutação.
Seria burrice cometer os mesmos erros? Ou é melhor do que viver com medo?
Às vezes parece meio adolescente querer se entregar as ilusões quando se sabe que são ilusões.
Entretanto, o fato de saber faz com que deixem de ser ilusões e se tornem mais reais...
É surpreendente que seja tão óbvio.
É entediante que seja tão mutável.
Me esforço para ser apenas o que sou e não me aborrecer tanto comigo mesma.
Em vão.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Eu e você, por um fio.

Ainda que o corpo sofra a abstinência da ausência do outro, em todos os sentidos, cheiro, gosto, fala, toque, olhar... 
No fundo, apegar-se ao materialismo é bobagem, é pressa, ansiedade.
Telepatia, força do pensamento, onipresença, aquele sexto sentido... 
É isso que une duas pessoas.
Não é preciso estar para ESTAR.
A espontânea fidelidade ao sentimento, além das palavras
Torna ainda mais verdadeiro, mesmo o que não se vê, nem se diz.
Busco encontros telepáticos, 
Enquanto acredito que o laço não tenha rompido, embora fique por um fio.
Porque as relações longas, antigas, são as que estão sempre por um fio.
Não importa quanto tempo passe. 
Formam um invisível fio de aço no meu peito de laço.

terça-feira, 17 de março de 2015

"Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro"

Se meu travesseiro falasse contaria as histórias mais lindas:
O mundo num sorriso, sem tristeza
A paixão sem desentendimentos
O amor mais puro, num pacto de confiança
A música mais bela, cantada por todos
Uma luz em mim, espalhando alegria no palco encantado.
É uma pena que eu só possa realizar um sonho de cada vez...
Os demais esperam, bem vivos em mim, enquanto durmo.

domingo, 15 de março de 2015

Out of service


Fixado numa só posição, 24h por dia, como um músculo torcido numa câimbra incessante
Travado, como uma tela de computador, preso a uma ação descontinuada
Tecla da máquina quebrada, embora as outras sigam funcionando perfeitamente
Em coma, não responde a nenhum estímulo
Pulsando numa única vibração memorável
Quase parado, nada o fará recuperar o ritmo
Assim fica o meu coração
Fora de serviço, em manutenção

quarta-feira, 4 de março de 2015

Livro da vida


A vida é como um livro em branco
Não adianta querer passar as páginas
Nem descobrir como termina cada capítulo
Ainda que a história já esteja pré-destinada
É preciso escrever, letra por letra
Palavra por palavra
Depois você pode até reler
Mas já vai ter escrito
Em tinta de caneta inapagável

terça-feira, 3 de março de 2015

Canção do mar

Um mestre me falou
A vida é a dança das ondas basta olhar o mar
Mergulhei lá no fundo
Deixei meu berço a chorar
Tinha um sonho a realizar

Na crista da onda apareceu
Uma paixão me entorpeceu
Entre o céu e o mar
Amar ou brilhar

Você me transformou
Mas ainda sou um pescador
Não estou pronta agora
Pra abandonar a rede
Levo comigo a força desse amor

Se sou leal você vai ver
É natural não entender
Mas o peito pede
A alma grita
Vou voltar
Pra os seus braços vou voltar.

"O pescador tem dois amor. Um bem na terra, um bem no mar."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A falta

Um pêlo arrancado de uma vez da raiz
Um tropeço desastroso no susto
Um membro do corpo perdido, amputado
Uma morte súbita, abrupta
Uma piada contada sem final
Flor sem cheiro, comida sem gosto
Calor mais que quente, insuportável
Frio congelante
A cama pequena ficou gigante.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O rosto, o som e o tempo


O rosto cansava
O som tocava
O tempo passava
O som parava
O rosto perguntava
O tempo passava

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Hesitante

Estávamos naquele dia, que mais parecia um dia qualquer... Ou então eram alguns dias, algumas vidas passadas, reunidas no momento.
Aquele momento, você lembra?
A gente olhava da pedra, a água escura do lago que a cachoeira formava, em volta uma paisagem deslumbrantemente misteriosa, rica, natural. Tudo perfeito, encaixado, como um quadro cheio de cores vivas.
Contemplei por alguns instantes, enquanto você também o fazia. Olhei a água que brilhava com o reflexo do Sol e fui andando para pular, queria estar molhada dos pés a cabeça.
Quando estava quase pulando, vi você, hesitante e tranquilo, avaliando a temperatura, a profundidade... O que haveria no fundo do lago?
Em meio à imensa euforia, já com um dos pés fora do chão, ao te ver bem mais atrás, paralisei. Me veio uma tristeza momentânea. Queria saltar, sem pensar em mais nada, queria uma sensação surpreendente, e você também estava gostando de apreciar meu salto, tanto que estranhou a pausa.
Tudo bem, dei meia volta, um pouco a contragosto, mas certa de que o salto de um não valia, já não estava valendo, tinha que ser em conjunto.
Pensei, talvez seja prudente ponderar um pouco, sentir mais o ar, aproveitar cada instante até chegar ao momento crucial do mergulho, se assim for para acontecer. Respiro, acho que até me sinto melhor, não sei... meus pés estão um pouco machucados, já que fui tão esbaforida.
Enfim, sentei na pedra e consegui meditar. Você continuou de pé, fazendo suas ponderações, mas não saiu do meu lado.
No entanto, me restou uma saborosa dúvida: Porque não quis saltar comigo?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Guerra dos Sexos

A mulher duvida, mas vai
O homem diz que não, mas faz
A mulher queria, mesmo sem querer
O homem se perde ao satisfazer
A mulher confunde, é passional
O homem busca, sem sucesso, ser racional
A mulher tola, teme ser trocada
O homem, mais tolo, não quer incomodá-la

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Bem?

Fazer o bem.
O que é isso?
Será que as vezes por trás da gentileza, da simpatia, da solicitude,  existe um egoísmo velado? Inconsciente até... Aquela necessidade de fazer apenas o que lhe convém, com o falso entendimento de que não está prejudicando os outros.
Vejo que quando deixamos de fazer algo pela humanidade, quando nos entregamos demais à vida terrena com suas tentações, esquecemos de nós mesmos, de tudo e de todos. Algumas pessoas vivem assim e se escondem atrás dos sorrisos. Por isso, é tão comum enganar-se com essas pessoas. Porque nem elas sabem ao certo o que estão deixando para a eternidade, pelo imediatismo de viver a euforia, a preguiça e os desejos de cada dia.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Mar e Céu

Por todo lado a visão é a que sempre sonhei: Apenas o mar e o céu.
Como esquecer, se é só o que vejo?
Platonicamente a distância me aproxima, desperta minhas lembranças
Busco histórias e cenários que se sobreponham a este arrebatamento,
Que foi o último suspiro (ou sufoco) de paixão iludida na minha alma
Em vão.
Nada, nunca será comparável à contemplação do mar e do céu.
Olhando o horizonte é que se entende a infinitude dos sentimentos.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nem tudo.

Tudo posso
Tudo quero
Quero muito
Faço tudo
Tudo é pouco
Riso louco
Dia é noite
Vida em açoite
Adoeço
Perco o chão
Olho lá, sem ninguém
Do tudo posso, uma conclusão
Nem tudo me convém.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Encontro

Naquele beat exato, compassado
Minha melodia vinha e ia
Deixei transparecer toda minha partitura
Você desvendou, explorou minha tecitura
Serei eu a que canta sua música
Ou por mim você fez convenção única,
Nos tons das ondas do mar
Ressoando no meu peito
Solfejando sem ar